Sábado, 28 de Janeiro de 2012

Livro do dia- A Felicidade no Crime

Pequeno volume da colecção Gato Maltês, da Assírio e Alvim. Trata-se de uma das histórias d'As Diabólicas, de Barbey d'Aurevilly. Como indica o título, trata-se de uma história de amor criminoso com tudo o que isso implica: o próprio crime, o arrependimento ou a falta dele, o castigo ou talvez não. Aníbal Fernandes traduziu e escreveu uma introdução muito bonita. Nós lemos com gosto, como é de bom tom quando acontece com os títulos desta excelente colecção.

A CAN e o racismo

Decorre presentemente, no Gabão e na Guiné-Equatorial, a edição deste ano da CAN. Olhamos para os jogos desta competição e vemos que as selecções só têm árabes (se são dos países a norte do Sara) ou pretos (no caso de serem a sul). A ninguém ocorre chamar a isto racismo, precisamente porque não é. As coisas devem ser assim e mais nada, cada país preservando a sua identidade. Infelizmente, olhamos para a Europa e o caso é precisamente o oposto. Rara é a selacção de futebol que não tem uma série de pretos ou não-europeus a jogar. Salvam-se as do leste, e não todas, e não sabemos por quanto tempo. De resto, também aí já chegou a moda. A Polónia já jogou com Olisadebe, nigeriano naturalizado, a Croácia tem o brasileiro Eduardo, o Azerbaijão tem pelo menos dois brasileiros e a tendência é para o fenómeno prosseguir. das selecções do centro e sul da Europa nem vale a pena falar. Turcos e africanos nas primeiras, árabes e africanos nas segundas (e caribenhos e etc). Se não for assim, já se sabe, é racismo. Uma selecção europeia que jogue com onze brancos anda hoje muito próxima de representar um país fascista ou fortemente duvidosos, como a Sérvia e a Rússia, dois dos poucos países que resistem ao veneno multicultural. Quantos estes resistentes cederem o processo estará completo. São assim, portanto, as coisas. Que numa competição entre países africanos só apareçam pretos é considerado (e bem) normal. Mas se no próximo Euro 2012 as selecções participantes apenas surgissem com brancos cairia o Carmo e a Trindade e teríamos a Europa a regressar ao nazi-fascismo e etc. Que caia na auto-destruição e na ditadura multiculturalista já não interessa a quem manda, apostado em destruir a identidade enquanto apoia a promoção da mesma fora deste continente abastardado.

conjuntos portugueses dignos de memória (XVIII) - Dogue Dócil

Ficaram famosos pelo tema dealers - famosos é como quem diz -, uma crítica feroz aos traficantes e drogados que faziam vida da desgraça alheia. Mas nunca se conseguiram separar de uma lembrança mais negativa, a de terem actuado na sede do PSR na noite em que uma escaramuça entre cabeças rapadas e trotskistas acabou com um morto e mostrou a Portugal que havia cá skinheads. Foi em 1989, a coisa fez correr muita tinta e da banda pouco mais se ouviu falar. Praticavam um roque musculado e tinham como vocalista uma rapariga, pormenor ainda não muito vulgar á época. Nunca conseguiram gravar com uma produção em condições e acabaram por nunca sair do nível onde vegetarm dezenas e dezenas de bandas por essa época. Mas fica o registo de um conjunto que, com outras condições, podia ter conseguido ir mais adiante.

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Uma clara vitória das forças progressistas e democráticas

No Chile, parece que o ministério da educação tinha começado a usar a expressão "regime militar" em vez de "ditadura" para designar o período entre 1973 a 1990. Apesar do regime ser, de facto, militar esta alteração provocou viva indignação entre as forças progressistas e humanistas. Felizmente, como outrora disse uma mulher muito sábia, o fascismo não passará e não passou mesmo. Graças à oposição ordeira, mas firme, das forças progressistas e democráticas o ministério voltou atrás e adoptou novamente a designação de "ditadura" para o período de 1973 a 1990. Na primeira linha do combate pela reposição da verdade o diário Público, insigne representante português das forças progressistas e democráticas, dá-nos hoje esta boa notícia e prova assim que a luta contra o fascismo é sempre compensadora para aqueles que fazem da legitimidade democrática e da solidariedade entre os povos bandeiras de vida.

Assim vai a Europa...

Fazerem isto lá na terra deles ainda vá, na Europa é um bocadinho triste. mas contra esta segregação não protestam os bandalhos dos direitos humanos. veja-se então o novo serviço de táxis islâmicos da Alemanha:
Called Muslimtaxi, the site is based on the same principle as other popular websites (...).Those interested in offering rides specify their gender, asking price and how many passengers they can accommodate. Potential passengers contact the driver directly.Selim Reid, a 24-year-old from Norderstedt, city of about 70,000 near Hamburg, told the Hamburger Abendblatt newspaper that he was inspired to create the site because of Muslims’ bad ride-sharing experiences.In 1996, for instance, his parents, who are originally from Iraq, caught a ride with a Muslim-hating driver who spent the whole time criticizing them.“The driver and the people with him swore the whole way about foreigners in general and in particular about my mother’s head scarf,” Reid told the newspaper. Of course, you don't need to be a Muslim to use Reid’s service. In fact, he told the Abendblatt, that’s one of the main points of Muslim Taxi. “Those really looking for dialogue will find it by using Muslim Taxi,” he said. In operation since late last year, the website has attracted its share of criticism. People have accused Reid of trying to create a parallel society and supporting immigrants who don’t want to integrate in German culture.But Reid says the response from thousands of grateful riders has showed him he’s filling a niche.“Many Muslim brothers and sisters complained that they can’t use conventional offers because the gender segregation stipulated by Islam is not implemented,” he added.

livro do dia - O Fim da Ortografia

De António Emiliano, edição de 2008 da Guimarães. Volta e meia pego-lhe para dar uma olhadela e hoje foi o caso. Essencial para quem considera o acordo ortográfico uma abominação, embora as partes mais técnicas deste volume sejam tremendamente maçudas - essa é que é essa. Mas a ter sempre à mão para argumentar contra os mangas-de-alpaca que dizem sim e amen a tudo o que vem de cima e receberam este aborto de braços abertos porque "o governo manda" e estão empenhados na sua aplicação "porque já foi decidido".

conjuntos portugueses dignos de memória (XVII) - Major Alvega

De Viseu para o mundo, uma das mais originais bandas nacionais dos anos noventa. Com o seu roquethrashindustrialetc gravaram duas maquetas, pelo menos. Temas enérgicos, por vezes com aproximação ao industrial, noutras vagueando pelo roque absoluto. Fadário foi das coisas mais devastadoras que já se por cá fizeram. Tive a alegria de os ver em Viseu no ano de 1992 e foi um momento de grande beleza cénica e velocidade estonteante. Mereciam ter chegado ao disco, sim senhor.

"Afronta e provocação"

Dizem os comunas do MRPP. Para esta agremiação vermelha o facto de Cavaco Silva se ter intitulado "provedor do povo" é afrontosa e provocatória. Provavelmente porque o esquerdalho detém o monopólio do popular e nada do que diz respeito ao povo pode ou deve ser feito sem sua autorização - não esqueçamos que os "activistas" falam sempre em nome daquele. Depois, provavelmente, porque uma para o lugar de provedor deve ser escolhido alguém com outro tipo de perfil. Criminosos como Mao Zedong ou Enver Hoxha enquadram-se muito mais no conceito que o MRPP tem daquilo que deve ser um "provedor do povo". Alguém mais próximo das massas e que as ilumine devidamente, alguém que emana tamanha luminosidade que acaba por queimar aqueles que defende tão generosamente, sempre a bem dos incinerados evidentemente.

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Jornalismo de causas

Ontem, no telejornal da SIC, falou-se do primeiro aniversário dos protestos no Cairo. Foi uma peça jornalística muito bonita em que se referiu a democracia e tal. Certamente por desconhecimento não se fez menção á situação dos cristãos, sempre a piorar desde aí, nem às fraudes que se suspeita (ou não) terem acompanhado as recentes eleições. estamos no reino da mitificação jornalística, portanto. tal como há séculos o mundo islâmico era o centro do mundo com a sua brilhante civilização (e quem disser o contrário é islamófobo), também nos nossos dias a "primavera árabe" é perfeita na sua assunção da democracia e dos direitos humanos. E quem disser o contrário é um cínico, o oposto destes jornalistas de causas, sempre tão inteligentes e humanos.

livro do dia- O Erotismo na Idade Média

De Arnaldo da Cruz, uma edição da Europa-América de 2006. Lê-se bem e depressa. Trovadores, cantigas, goliardos e por aí. Uma visão, não do erotismo medieval, mas sobretudo da arte trovadoresca. Naturalmente, muito limitada em termos temporais. Fosse mesmo sobre a Idade Média no seu todo e não chegariam quinhentas páginas, quanto mais as cento e sessenta deste volume. Mas é a tal coisa, lê-se com agrado e tem o dom de mostrar, a quem ainda não sabe, que aquela não foi uma época de selvagens e de bárbaros.

1º de Dezembro

Como seria de esperar um dos feriados a eliminar é o da Restauração da Independência. Com este governo de direitinha não surpreende. Com elementos que mandam os portugueses para fora, com outros que dizem ser de evitar o regresso dos imigrantes aos seus países de origem, com a aceitação do aborto ortográfico é fácil de ver que para esta gente a Independência é coisa que conta zero. Esta gentinha é a mesma que, entretanto, vai aparecendo a dar entrevistas com pins das cores nacionais e sem ter vergonha de tal hipocrisia. Com a direitinha as coisas passam-se assim. O que conta é o multiculturalismo, o cosmopolitismo saloio, o internacionalismo humanitário. Restauração da independência é coisa para fascistas e retrógrados. Até porque não somos portugueses, mas europeus. Cidadãos do mundo, sobretudo.

Parabéns!

O melhor jogador moçambicado de futebol fez ontem setenta anos. Tal como sucedeu há tempos, quando esteve hospitalizado, os media da parvolândia dedicaram-lhe vasto tempo de antena. É assim a inteligência, o rigor e a lista de prioridades dos jornalistas portugueses e de quem lhes dá a comer. Não se arranja nada mais relevante do que o aniversário de um dos melhores jogadores africanos, juntamente com o Mantorras, para encher telejornais, jornais e revistas "de referência".

conjuntos portugueses dignos de memória (XVI)- Vómito

Conjunto punque lusitano, um dos melhores. Brilharam no início da década de noventa. Temas como O meu cão (é zarolho), psp (por ser parvo), putos da rua fizeram as delícias de miúdos e graúdos naquela altura. Infelizmente nunca gravaram o merecido álbum, mas ficaram as demos e gravações de concertos. Bom som e boa aitude, eram assim os Vómito.

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

livro do dia- Portugal de Relance

Portugal visto pelos olhos de quem vem de fora. Neste caso, Portugal do século XIX embora muito do que seja dito se mantenha válido para os nossos dias. Maria Rattazzi escreveu, alguns indígenas indignaram-se, outros acharam piada. Tradução de José Miranda Justo, segunda edição da Antígona para o ano de 2004 - a primeira é de 1997 se não me engano.

Ontem como hoje (ou volta e meia lá aparece um BPN)

"Por fim do ano de 1878, e por espírito de imitação, o Banco Ultramarino expiou, como o Banco de bruxelas, as leviandades de uma péssima administração e o abuso de um guarda-livros, de um exército de empregados e de directores que meteram a mão nas algibeiras... dos outros, postas sob a sua salvaguarda. no dia imediato ao do desastre, o tesouro público punha à disposição do banco Ultramarino a soma de dois milhões de francos, o dobro dos desvios de fundos. Aqui temos guarda-livros, tesoureiros, empregados e directores que vão ao banco dos réus responder perante a justiça - se a justiça intervier no caso - por factos que se lhes imputam, e o governo corre em auxílio do cofre despojado! porquê?... Por que razão?... Como é que os dinheiros do Estado têm que ver com uma sociedade constituída por accionistas, de entre os quais alguns grandes e minúsculos empregados são uns gatunos? E com que direito aqueles que administram os dinheiros públicos, aos quais as cortes consignaram destino especial, podem aplicá-los em socorrer um banco em falências?... Questões importantes em toda a parte, mas que seriam aqui impertinentes."- Maria Rattazzi, Portugal de Relance, trad. de José M. Justo, Antígona, 2004