O esquerdalho tem, desde sempre, a presunção de representar o povo. Não o verdadeiro, que desconhece e despreza, mas aquele que idealiza. Neste caso patético da pieguice primeiro-ministerial assistimos novamente as fenómeno. Mandatados sabe-se lá por quem, os partidos do esquerdalho vieram defender a honra ofendida dos portugueses, como se tivessem legitimidade para tal. Pelo meio, algumas alusões ao que é o verdadeiro desejo desta gente: pede-se ao primeiro-ministro que se acautele porque os piegas podem vir a revoltar-se mais tarde. Este é um ponto essencial na questão. O que o esquerdalho lamenta é, precisamente, a dita pieguice dos portugueses, mas não se atreve a enunciá-la. Daí ao desprezo a distância não é muita. Para o esquerdalho o português é corno manso, não faz nada para contestar a austeridade. Ao contrário dos gregos, que protestam e enfrentam a polícia e até dizem que não passarão. O esquerdalho gostava de mudar de povo, de ter um à sua medida, um que fizesse greves e fosse para a rua causar distúrbios e partir montras. Como os portugueses, sensatamente, não lhes fazem a vontade, votam-nos ao desprezo. Não o dizem, evidentemente, hipócritas que são mas pensam-no e repetem-no entre eles. Repete-se o sonho de substituir o povo, de criar um de raiz se possível. As aspirações totalitárias desta gente continuam lá todas. Disfarçadas de humanismo e sob a capa da actual ideologia dos direitos.
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