Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Ontem como hoje (ou volta e meia lá aparece um BPN)

"Por fim do ano de 1878, e por espírito de imitação, o Banco Ultramarino expiou, como o Banco de bruxelas, as leviandades de uma péssima administração e o abuso de um guarda-livros, de um exército de empregados e de directores que meteram a mão nas algibeiras... dos outros, postas sob a sua salvaguarda. no dia imediato ao do desastre, o tesouro público punha à disposição do banco Ultramarino a soma de dois milhões de francos, o dobro dos desvios de fundos. Aqui temos guarda-livros, tesoureiros, empregados e directores que vão ao banco dos réus responder perante a justiça - se a justiça intervier no caso - por factos que se lhes imputam, e o governo corre em auxílio do cofre despojado! porquê?... Por que razão?... Como é que os dinheiros do Estado têm que ver com uma sociedade constituída por accionistas, de entre os quais alguns grandes e minúsculos empregados são uns gatunos? E com que direito aqueles que administram os dinheiros públicos, aos quais as cortes consignaram destino especial, podem aplicá-los em socorrer um banco em falências?... Questões importantes em toda a parte, mas que seriam aqui impertinentes."- Maria Rattazzi, Portugal de Relance, trad. de José M. Justo, Antígona, 2004

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