Que a morte é um grande aborrecimento provam-no as tentativas mais ou menos patéticas de aliviar o receio provocado pela mesma. Da célebre afirmação de Epicuro, tentativa pouco convincente, às ladaínhas e histórias sobre a futilidade da imortalidade é toda uma sucessão de ditos mais ou menos espirituosos tentando consolar o inconsolado. É também à volta disto que gira a obra citada, da autoria de Julian Barnes e editada pela Quetzal no ano passado. Dissertação acerca da morte com passagens pela infância, família e autores mais ou menos queridos, enfrentamento da besta com humor e ligeireza em alguns momentos ou a necessária seriedade em outros. Pelo meio um irmão filósofo com o qual não se simpatiza, tão parvo se revela. Variações sobre Jules Renard e a importância da música nos últimos momentos em que salta à vista a importância da escolha, se permitida, da morte. Como morrer, problema não só referente aquele que se encontra em tão lamentável situação, mas também para os que o rodeiam e velarão, escolherão a música e anotarão os últimos ditos. Mortes mais ou menos surpreendentes e a certeza de que este homem, tal como Woody Allen, certamente preferiria ser imortal por não morrer e não pelas suas obras. Mas isso qualquer pessoa minimamente racional preferiria.Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
Livro do dia- Nada a temer
Que a morte é um grande aborrecimento provam-no as tentativas mais ou menos patéticas de aliviar o receio provocado pela mesma. Da célebre afirmação de Epicuro, tentativa pouco convincente, às ladaínhas e histórias sobre a futilidade da imortalidade é toda uma sucessão de ditos mais ou menos espirituosos tentando consolar o inconsolado. É também à volta disto que gira a obra citada, da autoria de Julian Barnes e editada pela Quetzal no ano passado. Dissertação acerca da morte com passagens pela infância, família e autores mais ou menos queridos, enfrentamento da besta com humor e ligeireza em alguns momentos ou a necessária seriedade em outros. Pelo meio um irmão filósofo com o qual não se simpatiza, tão parvo se revela. Variações sobre Jules Renard e a importância da música nos últimos momentos em que salta à vista a importância da escolha, se permitida, da morte. Como morrer, problema não só referente aquele que se encontra em tão lamentável situação, mas também para os que o rodeiam e velarão, escolherão a música e anotarão os últimos ditos. Mortes mais ou menos surpreendentes e a certeza de que este homem, tal como Woody Allen, certamente preferiria ser imortal por não morrer e não pelas suas obras. Mas isso qualquer pessoa minimamente racional preferiria.
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