Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Direitinha, esquerdalho, fascistas

Mais um fim-de-semana, mais uma marcha de indignação. Um êxito tremendo, presume-se. Com mais de quarenta organizações presentes acorreram á passeata mil pessoas e já não foi mau. No meio do arraial umas escaramuças entre nacionalistas e elementos do pouco imaginativo esquerdalho "fascismo nunca mais". Não se percebe muito bem o que vão nacionalistas fazer a passeatas claramente esquerdalhizantes, mas cada um sabe de si. Quanto ao resto, tudo normal: esta rapaziada julga-se dona e senhora da indignação, quem não alinha pela sua cartilha é fascista, burguês ou imperialista - ou acomodado, o que é quase tão mau ou pior. Alternativas ao estado de coisas? não há. Propostas não têm ou, se fingem ter, de nada valem por tão patéticas que são. Em paralelo os blogues da direitinha mete-nojo fazem eco das escaramuças para colocarem nacionalistas e esquerdalho lado a lado contra a sacrossanta democracia. Errado. Apesar das afinidades há diferenças essenciais e uma muito notória: nunca vi um nacionalista manifestar-se de cara tapada ou de máscara e isso já é significativo. É que quem acredita naquilo que diz, naquilo que defende, naquilo que faz, dá a cara e não se esconde por detrás de anonimatos e mascarilhas ridículas. Afinidades, de resto, também as há entre o esquerdalho e a direitinha. Janeiro de 2007: manifestação contra o aborto. No fim do cortejo, os leprosos da democracia. Lá iam os elementos do PNR porque a direitinha beata não gosta de misturas. Tal como o esquerdalho. No fundo, todos convencidos das suas certezas absolutas. Sejam nacionalistas, sejam do esquerdalho, sejam da direitinha todos são absolutamente iguais na assunção dos dogmas. São todos superiores aos demais. É por isso que não se podem ver uns aos outros apesar da essência comum.

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