Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Choque, revolta, indignação e mais qualquer coisa

As palavras do presidente Cavaco sobre as suas despesas e a reforma que não chega para elas causaram, como não podia deixar der, choque e indignação num povo que facilmente se melindra. Num país de pobres de espírito os comentários não são muito imaginativos e remetem para a hipótese do presidente se sustentar com a reforma mais baixa que o cidadão comum possa ter. Ora, a questão passa precisamente por aí. Cavaco Silva não é um cidadão comum, é presidente da república e, como tal, deve ter um vencimento em condições. Para mais nem é disso que se trata, no momento, mas de uma reforma (ou duas) a que tem direito porque descontou para ela (s). É excessiva? talvez seja para a média do país, mas não para o rendimento sobre o qual foi feito o desconto. O resto é inveja, hipocrisia e populismo saloio. Já abdica do salário, deveria recusar a reforma? Só se fosse tolinho, evidentemente. E, a um presidente, convém que não o seja tal como convém que tenha, repito, um vencimento em condições. Afinal, não é o Júlio ou o Mário ali do café. Indignações labregas e moralismos falsos são aqui dispensáveis. Naturalmente, o esquerdalho hipócrita já juntou a voz às carpideiras, do mesmo modo que a direita caceteira o fez. É bom ver as afinidades nestas alturas.

0 comentários:

Enviar um comentário