Haja saúde. E quanto a este espantoso blogue espero voltar a publicar com periodicidade diária, retomar a poesia e os textos de variados e relevantes autores. Mas, volto a dizer, haja saúde que é o mais importante.
Sábado, 31 de Dezembro de 2011
Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011
Cabalas
O quase tão glorioso líder Chávez lançou a suspeita: não será obra da América os sucessivos cancros que têm acometido líderes sul-americanos? não culpem a pinga, o tabaco, os excessos, culpem os americanos. Seja como for, se forem eles os responsáveis estão a dar provas de grande incompetência porque, apesar da doença, até agora não morreu nenhum dos visados.
Conjuntos portugueses dignos de memória (III)- Zé satélite
Conjunto algarvio, antes de terem este nome eram os Simplesmente Maria. Gravaram umas maquetas, a música mais relevante intitulava-se "Críticos" e era uma crítica aos críticos. Uma coisa pueril, mas enfim. Tinham uma vocalista chamada Céline que depois estudou na ARCA em Coimbra. Ouvia-se bem, era um pope-roque ligeiro e sem grandes pretensões. Uma coisa divertida, portanto. Brilharam no início dos anos noventa, se é que se pode dizer assim.
Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
Parabéns!
Ao presidente Pinto da Costa. Pelo 74ºaniversário e pelo prémio recebido hoje no Dubai. Ao que acresce um agradecimento pelo trabalho efectuado e que transformou o FC Porto numa referência mundial e que só não é mais reconhecido intramuros porque estamos num país de ressentidos e de canalhas incapazes de valorizarem o trabalho e o mérito de quem o tem.
tdt
Para que serve? para melhorar a qualidade dos erviço. Que bom, pensei que era para sacar mais dinheiro aos consumidores obrigando-os a comprar televisões e/ou antenas e/ou descodificadores. Mas não, é para melhorar o serviço. Sempre a pensar nos utentes.
primavera árabe
Mas não para os cristãos e outras minorias. Mais de mil foram mortos só este ano, no Egipto (a imagem mostra a limpeza do sangue nas paredes de uma igreja de Alexandria). Também no Iraque continua a caça aos não-islâmicos, tendo sido assassinados três cristãos hoje, entre eles um bebé. Naturalmente, nada isto interessa à canalha politicamente correcta e dimiesca aqui no Ocidente. E nada disto é relatado nos noticiários das oito, aqueles que berram e espumam quando um infeliz elemento de uma minoria é maltratado na Europa, coitadinho.Informação de qualidade
É a da sic. Ontem, ao ver um bocado do telejornal, fiquei impressionado com a excelência desta estação no que diz respeito à informação. Quatro notícias internacionais a atestá-lo: uma, sobre umas escadas rolantes instaladas em Medellin. Outra, sobre uma jaula nova para um tigre na China. E ainda a história de um puto que meteu o dedo no nariz do Obama e outra já não sei sobre que parvoíce. Em tempo de crise, nada melhor do que informação estupidificante para tornar o pagode ainda mais idiota.
Sábado, 24 de Dezembro de 2011
Boas festas boas festas
aqui haja neste dia.
Conjuntos portugueses dignos de memória (II)- Requiem Pelos Vivos
De onde menos se espera é que elas vêm, como diz o povo. No caso em concreto vieram de Vila Nova de Foz Côa e foi o que de melhor a localidade produziu nos últimos trinta anos, superando de longe as gravuras. Brilharam nos finais da década de oitenta, princípios de noventa. Vi-os em Coimbra, em 1990, quando fizeram a primeira parte dos Ban. Estes tinham um crocodilo insuflável que circulou pelo público durante o concerto. Aqueles só tinham a música, mas eram melhores e o Peixinho Vermelho ficou como cartão de visita.
Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
Comunas
Foi votada no parlamento uma moção de pesar pela morte de Vaclav Havel. Aprovada com os votos a favor de todas as bancadas á excepção dos pseudo-ecologistas, que se abstiveram, e dos comunas, que votaram contra. O PCP, recorde-se, é aquele partido que ainda há dias enviou os pêsames aos facínoras norte-coreanos a propósito da morte do querido líder e alma da natureza. Neste caso, naturalmente, perante um indivíduo que lutou contra a ditadura vermelha da Checoslováquia o voto só podia ser negativo. Coerência, a coerência canalha que sempre orientou um partido estalinista que, felizmente, nunca pôde alcançar o poder em Portugal. Caso o tivesse feito estaríamos hoje ao nível de Cuba ou de uma Coreia do Norte. Com muita gente miserável e alguns campos de reeducação mas, em compensação, bastas estátuas do camarada Cunhal e dos criminosos que sempre o inspiraram e aos seus descendentes na ideologia na canalhice.
Não empurrem
Em discurso comovente, o presidente da república considerou que os reformados não devem ser empurrados para a zona dos novos pobres e, de facto, tem razão. Com as belíssimas reformas de que gozam boa parte dos portugueses que se encontram naquela situação não é preciso empurrá-los para uma realidade onde já estão há muito e que os governantes descobrem no Natal ou em ápoca eleitoral.
conjuntos portugueses dignos de memória (I)- Ecos da Cave
Ganharam o Rock Rendez Vous em 1988, salvo erro. Desejo foi um dos hites do final da década, na altura em que o Tirsense fazia furor na primeira divisão e estes rapazes de Santo Tirso brilhavam no panorama musical nacional. Alguém disse deles que eram os Jesus and Mary Chain portugueses e é bem capaz de ser verdade. Pop fresquinha, arejada e depressiva q.b., muito longe do que se vai fazendo hoje, muito perto do que se fazia naquela década em que os penteados eram desoladores, mas a música não voltou a ser ultrapassada ou mesmo igualada.
Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011
Modinha estúpidas (V)- anúncios a telemóveis
Provavelmente os anúncios mais estúpidos do espectro televisivo. Dão-nos ficção da mais baixa qualidade. Imagens de gente moderna, de uma certa concepção de gente, feliz com o seu artefacto tecnológico, gente bonita na concepção de quem a representa, gente cosmopolita e arejada, gente jovem e activa. Ou seja, um bando de inúteis, acéfalos que se deslumbram com o aparelhinho. Junte-se a isto as musiquinhas mais irritantes que se possam conceber (geralmente popzinha-guei) e temos a coisa mais imbecil da publicidade televisiva - e não só. Infelizmente estão para durar e proliferam de maneira assustadora.
A direitinha e a emigração
Os blogues da direitinha mete-nojo continuam excitados com a verdade propagada pelo primeiro-ministro. Não foi mais do que a afirmação de uma evidência aquilo que ele disse sobre a emigração de professores (e não só). E nos países civilizados também há muita mobilidade. E não podemos querer nascer e morrer no mesmo sítio, vivendo aí a vida toda. E etc, etc. Há uns anos, um amigo meu dizia que certos gajos gostavam de ir a Londres porque havia lá homens de todas as nações (ele era um bocadinho mais rude a dizer isto mas sei que há muitas senhoras que lêem este blogue e vou moderar-me). A direitinha também é assim. Os seus representantes mais ilustres deliram com uns dias em Nova Iorque ou Londres ou uma pós-graduação lá fora e depois acham que a emigração é fixe, que é uma coisa simples. Quando olho para fotografias destes gajos percebo o que eles dizem. Para eles talvez seja fácil. E mais fácil será para a família, caso a tenham - o que duvido. Mas para quem não seja um liberalzinho mete-nojo, com cabelinho à mete-nojo, para quem não se excite a ler o Hayek ou outro austríaco qualquer e para quem tem família e sente algum apego à terra (sentimento criminoso para os bandalhos da direitinha mete-nojo) as coisas não são assim tão simples.
A estratégia governamental?
Emigrar. Apesar do Portugal pré-Abril ser um antro de miséria, apesar da ditadura fascista obrigar à emigração, apesar do atraso de Portugal nos anos sessenta e setenta. Porque desde o 25 de Abril, graças a Deus e aos sucessivos governos, estamos no paraíso.
380 milhões
É o valor dor cortes na educação exigidos pela troika. Mais uns milhares de professores para o desemprego no final de Agosto, visto que a única forma de cortar despesa que este governo encontra é pela via do despedimento. Aliás, este não é o termo correcto porque os contratos acabam e não serão renovados. Tecnicamente, o governo tem razão. Não haverá despedimentos na educação. Haverá uns bons milhares de contratados que serão dispensados e pronto. Perante isto, calculo que a direitinha vai rejubilar. Temos aqui os futuros emigrantes de que falava Passos Coelho - apesar da emigração em massa ser um fenómeno do tempo do tenebroso "fascismo", quando Portugal era um país atrasado. Temos também a certeza de que o ensino privado não será afectado e isso, para a direitinha, é o essencial. Que os cortes se façam sentir na escola pública, feudo de malandros, mas nunca no sector privado onde se trabalha arduamente e os professores são de excelência. Aliás, é um fenómeno curioso. Um professor pode ser um ´parasita no ensino público, mas num colégio privado é um poço de virtude. Melhor que isto só a introdução do fabuloso cheque-ensino.
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
Tem lá calma, ó Bernardino!
O dia não deve estar a correr lá muito bem para as bandas da Soeiro Pereira Gomes e os camaradas devem estar uma pilha de nervos. Mas tem lá calma, ó Bernardino e não cometas nenhuma loucura que a Coreia do Norte há-de continuar a ser o farol do socialismo democrático e o Alentejo ainda há-de ser vosso outra vez!
Domingo, 18 de Dezembro de 2011
Descida de rating da Alemanha?
É assim: na sequência das palavras daquele deputado, a minha agência de rating, a pro-rata, solidariza-se com o mesmo e decide colocar a Alemanha sob apertada vigilância. Ou eles se comportam ou baixam do nível A de Alemanha para o D de Deutschland. Porque é necessária uma agência credível e que coloque esta gente na linha.
Contra a Corrente
A sic exibia hoje uma reportagem no jornal da noite acerca dos movimentos de contestação, os tais dos "activistas". Não vi, naturalmente, para ver imagens de inúteis já me chegam as que vou apanhando quando vejo notícias por engano ou quando ando pelos blogues da direitinha. Agora, o que me chamou a atenção foi o título da coisa, "contra a corrente" ou algo semelhante. Para rir, certamente. Num mundo em que a moda é a do activismo, em que esta canalha de inúteis que acampam durante meses e vivem dos rendimentos ou sabe-se lá de quê é adulada pela comunicação social dizeê-los contra a corrente é uma anedota, certamente. Porque hoje, se há alguém realmente do contra e que paga por isso são os rapazes e raparigas da área nacional, aqueles a quem os jornaleiros rotulam de "extrema-direita". Porque são esses e essas que andam realmente contra a maré de capitalistas, anti-capitalistas mesmo que pseudos, politicamente correctos e todos os associados que participam da festa mesmo que aparentemente não o façam.
Novidades da direitinha
Houve júbilo por parte da direitinha a propósito das palavras do primeiro-ministro realtivamente á emigração dos professores. Eu não desejo aos povos de língua portuguesa tanto mal que lhes queira dar com os nossos professores excedentários em cima, mas isso é outra conversa. O engraçado é ver a direitinha perorar sobre o novo mundo, a mudança e blá, blá. O velho discurso, porque nisto tão fossilizada é a nova direitinha como o velho esquerdalho. Mas calculo que para eles emigrar seja uma coisa fácil e simples. Provavelmente não terão família que os ature, de tão inchados pela vaidade, e como experimentaram as delícias do estrangeiro em algumas viagens ao que consideram os seus centros de civilização e cultura calculam que emigrar e viver lá por fora é algo de muito agradável, "tipo" erasmus ou viagenzinha a relatar em livro ou a contar aos amigos da mesma laia por entre uns copos em bar da moda.
50 anos
Há cinquenta anos, o ataque a Goa. Só para relembrar os nossos heróis, num tempo em que os que ergueram (e erguem) o nome da Pátria vão sendo cada vez mais esquecidos.
Cuidado com a escolha dos amigos
Em nota de rodapé, nas notícias da TVI, aparece a informação de que um deputado britânico foi suspenso por ter comparecido na despedida de solteiro de um amigo "nazi". Embora desconheça como é que sabiam que o dito era "nazi" não deixo de ter a certeza de que o mesmo tratamento não seria aplicado no caso do sujeito em causa ser comunista ou afiliado ao esquerdalho. Assim se vai vendo o funcionamento desta ditadura do politicamente correcto em que vive a Europa. Assim se vai vendo o patético e a hipocrisia dos discursos que censuram ditaduras, que relembram passados mais ou menos dolorosos e etc. Porque, efectivamente, qual a diferença entre uma ditadura dos anos setenta, por exemplo, e esta em que se destroem carreiras, vidas, se levam indivíduoas à prisão e por aí? provavelmente a única diferença reside em não existirem, nos nossos dias, campos de trabalho e reeducação ou indivíduos lançados de aviões. Até porque não é necessário fazê-lo. Isso era antigamente, quando a tecnologia e a sofisticação obrigavam à brutalidade, inqualificável nos dias de hoje em que tudo se faz de modo profiláctico, mesmo a destruição de algo ou alguém.
E continua a insistência na emigração!
Depois do outro, já não me lembro quem, hoje foi o primeiro-ministro. Em entrevista ao Correio da Manhã aconselha os professores desempregados a emigrarem. Parece que os países lusófonos precisam de mão-de-obra qualificada e aparecem como uma boa alternativa ao mercado nacional, cada vez mais saturado. É verdade que temos demasiados professores ou candidatos a tal, mas não é menos certo que começa a tornar-se patológica esta insistência dos governantes na emigração. Parece-me que um governo é eleito para contribuir para a resolução dos problemas de um país e, neste caso e em outros, não creio que a solução esteja em apelos como este que mais revelam incapacidade, desinteresse e falta de respeito, ou como se lhe quiser chamar. De resto, mostram também o ponto a que chegou o crédito dos professores na sociedade portuguesa. Lamenta-se a saída de investigadores, de "cérebros", mas quando se trata de professores já não problema em porem-se a andar. Enfim, pela minha parte, no próximo ano quando provavelmente ficar desempregado vou pensar no sábio conselho do primeiro, mas a emigrar gostaria de ter a certeza de que o encontraria algures num país lusófono, onde não pudesse pelo menos debitar tantos disparates.
Sábado, 17 de Dezembro de 2011
Despovoamento
Noticia o Reconquista desta semana que o madeiro de Penamacor, este ano, é organizado quase exclusivamente por jovens que já não residem na vila. Dos dezoito envolvidos apenas um está em permanência em Penamacor. Mais um dos muitos sinais do despovoamento que tem vindo a consumir o interior do país apesar dos discursos hipócritas de políticos menores que, desde há dezenas de anos, nada fazem para evitar este declínio populacional. Nada, salvo seja. Têm permitido e incentivado a construção de obras completamente inúteis que ficarão para a posteridade como sinais desta estupidez absoluta. De futuro, quando já não houver ninguém em condições de os usar, teremos sempre o prazer de ver os pavilhões multiusos que proliferaram por tudo quanto é localidade deste país, a bem das populações, do desporto e da cultura, mas sobretudo de construtores e políticos associados.
Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011
O progressista e a Igreja
Ontem, calhando a ver o noticiário da sic, vejo a notícia de um corno pretensamente intitulado artista que decidiu dar um ar mais moderno e de acordo com o tempo à imagem de Jesus. Vai daí o corno pintou uma série de quadros em que se vê Jesus a injectar-se, num ringue de boxe e mais não sei quê. Naturalmente, o corno não fez nem fará o mesmo com figuras importantes de qualquer outra religião. Provavelmente achará o budismo digno de respeito - porque há actores que o elogiam, o islamismo demasiado ameaçador, o hinduísmo demasiado complexo para a sua cabeça de corno e assim por diante. Mais uma vez, portanto, é o cristianismo a vítima mas apenas porque já não se sabe dar ao respeito. O cristianismo entrou num processo de decadência causado pela sua própria transformação e pela sua incapacidade de resistir ás seduções da época. Porque num mundo em que existisse verdadeiro cristianismo este corno pensaria duas vezes antes de retratar a Jesus como retratou porque num mundo em que existisse c ristianismo a sério a reacção cristã só podia ser uma: obviamente a de retaliação a sério contra esse corno que abusou da sua figura central. Porque só no dia em que o cristianismo voltar a mostrar que é capaz de opôr a sério a estes ultrajes é que voltará a ser levado a sério. Até lá continuará em declínio, excepto nas zonas onde o enfrentamento com religiões ou cultos agressivos ou situações de vida igualmente agressivas fazem dele uma religião de combate. Porque os povos e os crentes tal como os povos exigem de quem os guia - neste caso a Igreja - autoridade e milagre. Milagres, a Igreja já não os oeferece há muito, enredada em comissões de avaliação e etc. Por isso os crentes voltam-se para as seitas que lhos oferecem imediata e espectacularmente, mesmo que sejam falsos. Autoridade, há muito que não existe, por isso a perda de terreno para o islamismo, culto combativo e mobilizador. Perdidos estes dois elementos não resta muito à Igreja, excepto talvez jornadas de jovens que dão uma falsa ilusão de mobilização, negociatas com poderes que não a respeitam e cedeências sucessivas a bem da concórdia e outras palavras vazias de significado - veja-se como a Igreja portuguesa se mostra disposta a abdicar da festa da Imaculada Conceição e do Corpo de Deus como se nada fossem. Enfim, com um cristianismo efeminado como este não vão faltar por aí bandalhos que usarão e abusarão da imagem de Cristo e dos santos porque sabem que o podem fazer impunemente já que ninguém os perturbará nas suas vidas de pretensos artistas ou intelectuais de merda.
Telejornais
Nunca demoraram tanto tempo e nunca informaram tão pouco.
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
A doença do século
"Que vida, que criação, que acção pode haver entre pessoas que enfermam de ironia, essa velha doença que se espalha cada vez mais? Estamo-nos a contagiar sem o saber. É como a mordedura de um vampiro. O que foi mordido converte-se por sua vez em vampiro, os lábios incham, o rosto empalidece e da boca surgem grandes caninos.
Assim se manifesta a epidemia da ironia. E como não havíamos de nos contagiar, quando acabamos de viver o horripilante século XIX, especialmente na Rússia? Esse século a que um poeta chamou com razão 'um fogo sem chama'; esse reluzente e pálido século que colocou sobre o rosto do indivíduo vivo o reluzente manto artificial da mecânica, do positivismo e do materialismo económico e que enterrou a voz humana no ruído das máquinas; esse século metálico, no decorrer do qual 'a caixa metálica' (o comboio) conseguiu ultrapassar a 'insuperável troika' que, como disse Gleb Uspénskiy, foi para Gógol o símbolo da Rússia.
Como podia essa epidemia poupar-nos, quando o silvo das locomotoras se fez mais potente que a nossa voz; quando na intenção de apagar a máquina com a nossa própria voz, esta falhou e nós gritámos até exalar a alma (...) e quando agora já não somos capazes de uma crítica construtiva nem de um elogio construtivo, mas sim, apenas de um riso destruidor e aniquilador?"- Aleksandr Blok, Da Ironia, tradução de Dímiter Ánguelov, Pergaminho, 1995
Reeducação
Do Jornal de Notícias:
"A polícia deteve 64 jovens (59 rapazes e cinco raparigas), que assistiam, no
sábado, a um concerto de rock destinado à recolha de fundos a favor dos órfãos,
em Banda Aceh, capital da província indonésia de Aceh, no extremo norte da ilha
de Sumatra.
"Pensamos que as suas acções poderiam perturbar a aplicação da Sharia (lei
islâmica)", justificou à agência francesa AFP a vice-presidente do município de
Banda Aceh, Illiza Sa'aduddin Djamal.
Os jovens foram transferidos para Seulawah, onde iniciaram terça-feira um
período de dez dias de "reeducação", sob controlo policial.
"O objectivo é afastá-los do seu comportamento desviante. Devemos
reabilitá-los para que tenham um bom comportamento. Um tratamento severo é
necessário", disse o responsável policial da província, Iskandar Hasan.
Um activista local dos direitos humanos, Evi Narti Zain, condenou a detenção.
"Ser 'punk' é um modo de vida e os 'punks' vivem em todo o mundo sem prejudicar
ninguém", declarou."
sábado, a um concerto de rock destinado à recolha de fundos a favor dos órfãos,
em Banda Aceh, capital da província indonésia de Aceh, no extremo norte da ilha
de Sumatra.
"Pensamos que as suas acções poderiam perturbar a aplicação da Sharia (lei
islâmica)", justificou à agência francesa AFP a vice-presidente do município de
Banda Aceh, Illiza Sa'aduddin Djamal.
Os jovens foram transferidos para Seulawah, onde iniciaram terça-feira um
período de dez dias de "reeducação", sob controlo policial.
"O objectivo é afastá-los do seu comportamento desviante. Devemos
reabilitá-los para que tenham um bom comportamento. Um tratamento severo é
necessário", disse o responsável policial da província, Iskandar Hasan.
Um activista local dos direitos humanos, Evi Narti Zain, condenou a detenção.
"Ser 'punk' é um modo de vida e os 'punks' vivem em todo o mundo sem prejudicar
ninguém", declarou."
Não é racismo

Nem xenofobia, nem cristianofobia nem nada semelhante. Deve ser revolta contra o Ocidente, a Europa, a exploração, seja o que for. A imagem é de um carro alvejado em Mosul, Iraque. Nele seguia um casal cristão. Aconteceu no dia 13, Terça-feira, dia fértil em acções levadas a cabo por adeptos da religião da paz. Neste incidente foi assassinado este casal. Mas também na Bélgica, Tailândia, Paquistão e Nigéria houve mais vítimas dos sequazes da religião que só quer a paz. No caso nigeriano, entre as quatro vítimas mortais de um ataque suicida encontra-se uma criança de nove anos. Mas estas vítimas não têm direito a notícias nos telejornais. Não caíram às mãos de cristãos, racistas, cruzados, fascistas, xenófobos ou outros. Foram vítimas de uma pequeníssima minoria. Até porque a maioria de moderados, os imensos moderados, todos os dias saem á rua aos milhões para condenarem estas acções.
Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
"Ele tornará feito qualquer outro..."
Moderados
Parece que no Egipto os moderados da Irmandade Muçulmana já avançam para a proibição do álcool e para a criação de praias diferenciadas para homens e mulheres - mas isto não é apartheid, claro. Argumentam que os turistas têm muito álcool nos países de origem e não precisam de o ir beber ao Egipto. Certo. De resto, não me interessa absolutamente nada o que os egípcios fazem no Egipto ( a não ser que tal traga consequências negativas para o Ocidente). Se a Irmandade Muçulmana ganhou as eleições óptimo, até porque a democracia nunca falha. Eles que tratem do país deles, que rebentem as pirâmides se quiserem tal como os talibãs fizeram no Afeganistão com os budas. Mas não deixa de ser relevante que enquanto os patetinhas europeus se reunem no Catar para louvar a "aliança de civilizações" o norte de África esteja todo a ficar nas mãos dos que acham que não há nada para unir, até porque civilização só existe uma e não é certamente a da corrupta e pervertida Europa.
Mas mal desaparece um fascista aparece logo outro
Hoje é notícia o crime cometido na Itália por um indivíduo que disparou contra vários africanos matando dois. O Correio da Manhã, com o rigor e isenção que o caracterizam trata logo de dizer que um "racista" matou em Itália. Ora, o dito "racista" (e fascista) era simpatizante da CasaPound, a crer nos media que não esclarecem qual o grau de simpatia do fulano. Seria também simpatizante de algum clube? simpatizaria com um vizinho ou vizinha? qual a relação de simpatia com vários aspectos da realidade? não interessa, interessa apenas o carácter racista e fascista do homem. Neste caso não há dúvidas, até porque só alvejou africanos (que depois, revoltados, causaram distúrbios na cidade onde isto ocorreu). Já no caso de Liége ficamos a saber que ainda não se sabe. Não se conhecem as razões para um indivíduo ter desatado aos tiros e à granada no meio da rua, provavelmente nem foi nada premeditado até porque granadas e metralhadoras são utensílios que qualquer cidadão comum tem e pode perfeitamente desnortear e começar a varrer tudo a tiro. Portanto, aqui não se sabe. Que um marroquino comece a alvejar belgas às dezenas é algo que exige profunda investigação mas que não tem contornos raciais. Mas quando um italiano alveja africanos já não existem dúvidas sobre as motivações do acto. Assim se vai demonizando a "extrema-direita", curiosamente no momento em que ela vai mostrando vigor eleitoral pela Europa á excepção de Portugal, claro.
Afinal, o homem com ligações à extrema-direita era marroquino
Não sei se a TVI já reparou no pormenor, mas talvez não. Até porque o homicida de Liége tinha nacionalidade belga. Portanto, era belga de origem marroquina. Logo, sendo belga podia perfeitamente ter ligações à extrema-direita, talvez até já se tivesse cruzado com algum fascista em plena rua.
Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
Então, diz que D. Sebastião foi preso em Itália?
Pois. É como o outro do Colombo português. E o homem nunca foi à Lua. Grandes mistérios da História de Portugal. Já agora, amanhã vamos ficar a saber que o Sidónio foi assassinado a mando da CIA? A historiografia portuguesa em grande.
Mais um com ligações á extrema-direita
A propósito do tiroteio em Liége noticiava a tvi que o homicida tinha "ligações à extrema-direita". Depois do Breivik cá temos mais um que padece do mesmo mal. É engraçado como, de há uns tempos a esta parte, a Europa deixou de ser alvo de terrorismo ou actos tresloucados que não sejam de extrema-direita. A subida eleitoral dos nazistas e fascistas por essa Europa fora foi acompanhada por um recrudescer de acções armadas por parte dos mesmos, curiosamente. E, de agora em diante, já se sabe: qualquer tarado que desate aos tiros numa rua ou cometa algum massacre por essa Europa fora tem ligações à extrema-direita. Nem é preciso investigar a coisa como deve ser. Na Noruega é metê-los a todos na cadeia, na Bélgica é fazer igual e nos demais países é ir pelo mesmo caminho antes que mais alguma taradice do género aconteça.
As Feras
Leio no Blasfémias que a Ruptura/fer propôs, outrora, a que se apelasse à criação de brigadas a serem enviadas para o Afeganistão onde combateriam ao lado dos talibãs contra o imperialismo americano. Assim, de repente, fica-se sem palavras para qualificar estes fulanos. Felizmente as comadres zangaram-se e vamos sabendo destes projectos abortados, mas sempre exequíveis. De resto, há sempre tempo para a realização do sonho. Mais do que apelar, os militantes da Fer podem sempre levantar o rabo dos sofás e marcharem em direcção ao Afeganistão, Paquistão, Somália, seja onde for que se combata o imperialismo. De caminho podem levar umas mulheres e uns larilas da agremiação a que pertencem ou pertenceram para experimentarem ao vivo as virtudes do relativismo cultural. Decididamente, há quem nunca mude, há quem veja o mundo sempre da mesma forma, há quem permaneça preso á sua monolítica estupidez. Que pena não terem já marchado para o Oriente. Sempre nos poupavam ao disparate recorrente e á imbecilidade natural.
Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
Modinhas estúpidas (IV)- estrangeirismos
Flash mob, budget, performance, default, etc, etc. O deslumbramento labrego não ficou pelo século XIX e XX. Continua bem vivo, nos corações de todos aqueles que já foram a Nova Iorque, Londres ou Paris e ficaram rendidos aos encantos do "estrangeiro". Cosmopolitas por obrigação, multiculturalistas por exigências da moda ou da política. Depois não é admirar que surjam acordos ortográficos e outras aberrações. Com gente estúpida a proliferar en todas as áreas relevantes da sociedade o resultado só podia ser a degradação e o ridículo.
Domingo, 11 de Dezembro de 2011
Justiça (ou, talvez os juízes e os governantes aprendessem qualquer coisa lendo Fernão Lopes)
"Leixados os modos e definições de justiça que, per desvairadas guisas, muitos em seus livros escrevem, somente daquela pera que o real poderio foi estabelecido (que é por serem os maus castigados e os bons viverem em paz) é nossa entençom, neste prólogo, mui curtamente falar, nom como buscador de novas razões, per própria invençom achadas, mas como ajuntador, em breve molho, dos ditos de alguns que nos prougueram.
[Esta virtude é mui necessária ao rei, e isso mesmo aos seus sujeitos, porque, havendo no rei virtude de justiça, fará leis per que todos vivam direitamente e em paz; e os seus sujeitos, sendo justos, cumprirão as leis que ele puser; e, cumprindo-as, nom farão cousa injusta contra nenhum. E tal virtude como esta pode cada um ganhar per obra de bom entendimento e, às vezes, nacem alguns assi naturalmente a ela dispostos que com grande zelo a executam, posto que a alguns vícios sejam inclinados.
A razom por que esta virtude é necessária nos súbditos é por cumprirem as leis do príncipe, que sempre devem de ser ordenadas pera todo bem; e quem tais leis cumprir, sempre bem obrará, ca as leis son regra do que os sujeitos hão-de fazer [...]. E por isso a justiça é muito necessária, assi no povo como no rei, porque sem ela nenhuma cidade nem reino pode estar em assessego.
Ora, se a virtude da justiça é necessária ao povo, muito mais o é ao rei, porque, se a lei é regra do que se há-de fazer, muito mais o deve ser o rei que a põe, e o juiz que a há-de encaminhar]."- Fernão Lopes, Crónicas de Fernão Lopes, Ulisseia, 2000
Música e revolução
Que a revolução profissional é sempre sinónimo de boa vida já o sabíamos desde as imagens de Marx, gordo como um texugo. Similar é a situação dos músicos revolucionários, os chamados "cantautores" e toda essa panóplia de tristes que por aí prolifera. Olhe-se para eles, pegue-se num Represas (não literalmente, claro), num Paulo de Carvalho, num Tim, num Fernando Tordo, num Sérgio Godinho e por aí. É raro o trovador humanista que com o passar dos anos não fica mais parecido com o estereótipo do porco burguês do que propriamente com os famintos da terra. Mas, enfim, são os sacrifícios de quem faz da revolução profissão de fé, de quem ilumina o povo com as suas canções, de quem faz das palavras a arma contra a opressão. Porque uma coisa é cantar ai Timor operários uni-vos aos meninos do Huambo e a revolução é contra a opressão. Outra, completamente diferente, é levantar o rabo do sofá e deixar os bons restaurantes e experimentar, de facto, aquilo que o povo experimenta. Até porque isso era bom para aqueles padres-comunas de outrora, da altura em que existiam operários a sério.
Sábado, 10 de Dezembro de 2011
A cimeira europeia e as agências de rating
A histórica, decisiva, lendária, fundamental, fulcral, magnânima cimeira europeia coincide com o aparecimento da primeira agência de rating europeia. Assim, constatando a falta de uma agência séria que acabe de vez com as polémicas, decidi-me a criar a minha própria agência de rating, a pro-rata. A pro-rata baseia-se em critérios claros e honestos. Adopta uma escala de vinte e seis níveis que correspondem ás letras do alfabeto. No primeiro patamar encontramos, naturalmente, a Alemanha e a Áustria, a Austrália e Aruba, países e regiões financeiramente sólidos. mas podemos ver aí também a Arménia e o Azerbaijão porque os pequenos não são menos que os outros. Portugal encontra-se no nível P, curiosamente, sendo o Algarve a região portuguesa mais sólida, juntamente com os Açores mas as Beiras também não estão mal colocadas. Países insolventes são a Zâmbia e o Zimbabué, naturalmente. Assim, desta forma límpida, a Europa encontra finalmente a sua própria agência e pode libertar-se dos tremores que a acompanham insistentemente.
Moderados
No Egipto segue de vento em popa o sucesso eleitoral da Irmandade Muçulmana. Felizmente a Irmandade é moderada. Calculo que não deseje o extermínio dos israelitas, apenas a destruição de Israel o que é significativamente diferente. Também não vêem nos Ocidentais, provavelmente, cães infiéis mas apenas incréus que merecem a danação. E não devem achar mal que as mulheres comam uma banana se for em salada de frutas.
Modinhas estúpidas (III)- Gosto!
Um parvinho escreve uma parvoíce qualquer no facebook. Outro parvinho qualquer, dos 989 amigos que são amigos, vai a correr e diz que gosta. Faz lembrar o cão do Pablo, mas pronto. São felizes assim. Têm centenas de amigos, não estão sós no mundo nem sequer no universo e, com sorte, ainda hão-de aparecer um dia num anúncio de telemóveis.
Fuuusãoooo! Ciiiisãoooo!
Fusão. Gritavam o Vegeta ou outro boneco parecido no Dragon Ball. Inspirados provavelmente por estes lindíssimos desenhos animados orientais os rapazes do PSR, UDP e PXXI também se fundiram. No meio havia a FER e agora temos a cisão. Esgotados os bonecos animados nada mais restava. Doraemon não é a mesma coisa e o Dragon Ball é que era fixe. O problema disto é que vamos passar a ter mais uma organização, numa espécie de milagre da multiplicação do esquerdalho. A esperança é que talvez um dia destes regresse a LST, aquela que nos anos oitenta apelava á legalização da erva. O circo agradecia, até porque os batuques e os cuspidores de fogo não andam com a mesma saída de há tempos atrás.
Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
E um bem haja ao 25 de Abril
Já agora. Por tudo o que se seguiu e pela saque generalizado de que tem sido vítima este país nos últimos 37 anos. Um roubo apenas tornado possível por essa revolução que trouxe a "liberdade", a "democracia", o "desenvolvimento" e a PQP e encheu os bolsos a milhares de trastes e bandalhos.
A23- começou a roubalheira
Com as portagens mais caras do país, das duas uma: ou os beirões são os portugueses mais ricos e devem ter todos milhares de euros debaixo dos colchões ou então os preços elevados destinam-se a todos os turistas que vêm ver, ao vivo, a forma de vida dos cada vez mais escassos habitantes da Beira Baixa e Beira Alta. Se o governo tiver visão ainda é capaz de meter umas redes á volta dos distritos de Castelo Branco e Guarda e criar aqui uma reserva biológica antes que estes territórios fiquem completamente despovoados, que é para onde estamos a caminhar. Graças a Deus todos os políticos estão unidos na defesa do Interior e na promoção do seu futuro!
Começou!
A 82ª cimeira histórica deste ano, por sinal a 56ª decisiva.
Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
E um convite a todos os não-católicos
Amanhã, por uma questão de coerência, toca de ir trabalhar. Que isto de não ser católico e aproveitar os feriados religiosos para ficar na cama até mais tarde não me parece muito consistente.
Só para relembrar
Acção
actor
acto
efectivo
percepção
perceptor
recepção
erecção
erecto
característica
carácter
caracteres
Egipto
Inverno
Primavera
Verão
Outono
etc. Porque não há acordos que consigam apagar a identidade.
Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
Triste vida
No século XVIII não havia televisão onde pudessem ver programas tão lindos como os que dão hoje. No século XIX não havia telemóvel que pudessem utilizar em caso de emergência. Não havia água canalizada, saneamento, luz eléctrica, tinham de ler à luz de velas que nem um petró maxe tinham. Morria-se de tísica ou por dá cá aquela palha. Enfim, era uma falta de conforto que até assusta. Claro que há quem elogie as "virtudes espartanas" daquela época, mas quem o faz devia ser obrigado a viver naquelas condições. E, pior que esses, há aqueles que aparecem na televisão a dizer que "isto nunca esteve tão mau". Tenham vergonha. Podia estar melhor? podia, certamente, mas atingimos um nível de conforto como nunca se imaginou ser possível. Que haja crise de valores morais, isso é outra coisa, e estes lamentos desavergonhados bem o demonstram.
O fogo da vontade
Não sei porquê, ainda não consegui lincar aqui o blogue O Fogo da Vontade. O que me leva a perspectivar uma mudança para o wordpress um dia destes, se calhar mal tenha paciência para o fazer. Porque isto de estar sem linque para o melhor blogue da verdadeira acção nacional é uma pouca vergonha - especialmente para mim.
Aristocratas
É o nome da nova série da rtp2. Não vou ver. Chocaram-me as imagens de destruição e saque de um palácio que deram início à série. É assim, o povo. Quando se apanha no poder vai de escavacar tudo. Arte, património, bom gosto, leva tudo à frente. Para quê? para os substituir por nódoas de vinho tinto, grafitos e música de qualidade duvidosa. O povo deve servir para obedecer e mais nada. A necessidade de hierarquias é algo que qualquer pessoa com um mínimo dfe cabeça reconhece. As ideias de igualdade e fraternidade e não sei quê são isso mesmo: não sei quê e patetices. Que mande quem sabe mandar e quem possa aguentar esse fardo. O resto são conversas de candidatos a ditadores, frustrados por nunca lá chegarem ou ansiosos pelo dia que virá.
Modinhas estúpidas (II)- chefs
Antigamente havia cozinheiros. Quando havia homens havia cozinheiros, com aqueles chapéus altos a lembrarem os das enfermeiras que aparecem nas imagens dos hospitais russos. Quando muito havia chefes, escrito em português. Bons tempos em que podíamos confiar na sabedoria do chefe Silva ou na modéstia do cozinheiro Michel, o que de mais próximo havia da alta cozinha internacional cá pela terra. Hoje, o tempo é o dos chefs, essa praga da modernidade. Com os seus barretinhos apaneleirados (à excepção daquele que anda sempre com o turbante feito parvo), com as suas fardazinhas ridículas sempre impecáveis. Porque, antigamente, os cozinheiros usavam aventais sóbrios e perfeitamente adaptados à função que exerciam. Hoje, é tudo uma farsa televisiva, não se sujam, não ostentam uma nódoa, não mostram sangue, tripas, vísceras, espinhas ao vivo, é tudo assepticamente triste em cozinhas despersonalizadas - há quem considere isso minimalista, palavra que serve para designar a falta de imaginação criativa. Hoje é moda ser-se "chef", é moda cozinhar, sobretudo merdices que são catalogadas como alta cozinha ou comida requintada ou seja lá o que for. O resultado final é sempre o mesmo: umas amostras ridiculamente pequenas que devem servir para tudo menos para comer. Estes gajos que se dizem "chefs" deviam ser obrigados a estágio na lendária Casa Avião, de Castelo Branco, nos bons tempos em que o cheiro a escabeche se fazia sentir em toda a Devesa. Sim, os petiscos podiam ter alguns dias, mas ao menos eram comidos por gente que não ficava menos rija por causa disso - antes pelo contrário.
Domingo, 4 de Dezembro de 2011
Milagres
"E, como o homem é incapaz de ficar sem milagre, criará para si mesmo novos milagres, seus próprios, e venerará o milagre dos curandeiros, a feitiçaria das mulheres, por cem vezes que o homem seja rebelde, herege e descrente."- Fiódor Dostoiévski, Os Irmãos Karamázov, Presença, 2002, trad. de Filipe Guerra e Nina Guerra.
31 anos...
... após a morte de Sá Carneiro, este ano quase não se deu por isso, mas quem aterrasse aqui no ano passado e não soubesse de quem se tratava julgaria estar-se na presença do maior pensador político da segunda metade do século XX. Coisas da direitinha.
E uma sugestão para flash mob (mas sem televisões por perto)
Todos a pegarem na vassourinha, na mangueira, na esfregona, no que quiserem e começarem a limpar uma parcela da rua em que moram. Para que não sejam sempre os serviços da câmara a zelar pelo que é comum.
E um exercício interessante
Se alguém se desse ao trabalho de analisar exaustivamente (ou talvez nem fosse preciso) as imagens do anúncio da Optimus (os patetas do flash mob) encontraria lá, de certeza, bastantes indignados que estiveram frente à assembleia da república. Porque, quando não se tem um projecto de vida, nada para fazer ou se é simplesmente um inútil é costume aparecer-se neste tipo de situações.
Modinhas estúpidas (I)- Flash Mob
Num mundo de gente estúpida é normal a existência de modinhas cada vez mais estúpidas. Flash Mob. Lembrei-me disto, evidentemente, a propósito de mais um anúncio idiota a telemóveis (outra modinha, a dos anúncios idiotas de telemóveis). Portanto, um parvinho faz uma parvoíce. mas, como neste mundo é cada vez menos humano estarmos sozinhos, como a aversão á solidão é própria dos nossos dias, o parvinho tem de chamar mais gente para realizar a sua parvoíce e para que estes também o imitem. Duplo fenómeno: imitação e acção para a câmara. Porque a parvoíce, sem mediação, não vale de nada. Portanto, quanto maior o número de parvinhos juntos a fazerem uma parvoíce idêntica maior o sucesso da coisa. Definitivamente, só um mundo cada vez mais povoado de desocupados e de inúteis para se lembrarem disto.
Somos ricos!
Numa semana foi anunciada a suspensão, por pelo menos três anos, da barragem do Alvito. Na outra anuncia-se que a nova cadeia de Castelo Branco já não vai para a frente. No primeiro caso a obra seria importante para os concelhos de Castelo Branco e de Vila Velha de Ródão. No segundo, além dos trezentos postos de trabalho a criar teríamos a passagem do edifício onde funciona o actual estabelecimento prisional para as mãos da câmara. E esta, como já mostrou noutros casos, saberia o que fazer dele em prol da cidade.
Não há investimento, mas em compensação vamos ter as portagens mais caras das ex-scuts. O Reconquista já noticiara na sua edição desta semana que as portagens na A23 serão mais caras do que na A1. Hoje, é o Correio da Manhã a informar que pagaremos mais do que qualquer uma das novas auto-estradas com portagem. Sim, senhor. Felizmente, o governo não abandona o Interior. Felizmente, no 10 de Junho o presidente apelava ao desenvolvimento do Interior. Ainda bem. Se com esta visão solidária as coisas são assim o que seria se não existisse aquele espírito. Ah, e já se volta a falar no encerramento das maternidades da Guarda e de Castelo Branco e concentração dos serviços no hospital da Covilhã.
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