Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

Fado, património da humanidade

No tempo em que o fado era fado ninguém se preocupava - e bem - em saber se era património mundial ou não. Agora, quando o fado é moda e aparece prostituído com todas as outras formas de expressão musical é que foi elevado à categoria de patrimónia imaterial da humanidade, seja lá isso o que for. O fado, portanto, não é património de humanidade nenhuma porque essa coisa, como bem dizia o sr. Fernando Pessoa não existe. O fado, portanto, não é património de humanidade nenhuma porque essa coisa, como bem dizia o sr. Dostoiévski é uma abstracção e nada mais. O fado é património nacional e não internacional. Tal como os pastéis de nata ou os maranhos e o bucho ou o centro histórico de Évora. Que os outros o apreciem tudo bem, óptimo até. Que o reconheçam só demonstra bom gosto da parte deles. Mas isso não os torna co-proprietários do mesmo. Tal como eu, por gostar de música cajun não a reclamo como minha pois não a posso sentir como quem a faz e vive e viveu por ali. Mais uma vez, só num mundo de modas, ilusões imagéticas e ícones que não merecem círios poderia haver alegria por um facto tão lamentável como este. E, para concluir, veja-se como é engraçado que um património dito imaterial seja elevado a tal estatuto por uma organização materialista e enfeudada ao neo-marxismo.

Sábado, 26 de Novembro de 2011

Prossegue a primavera árabe

Mas, por via das dúvidas, parece que a organização Repórteres Sem Fronteiras aconselha as agências noticiosas a não enviarem mulheres para o terreno. Parece que houve mais dois casos de abuso ou violação no Egipto. A ser verdade, não há dúvida de que a primavera árabe trouxe definitivamente novos tempos de liberdade e democracia.

Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer


Nono volume da colecção Filosoficamente, da responsabilidade da Bizância, e mais uma incursão de Desidério Murcho pela divulgação filosófica. Do argumento ontológica e implicações diversas ao problema do conhecimento via Descartes e etc, passando pela filosofia da linguagem, eis algumas ideias e suas implicações para a vida quotidiana sob o ponto de vista prático - veja-se o exemplo da filosofia política - e não tanto quanto isso. Pese embora a falta de ilustrações é mais um lançamento de valor numa colecção que ameaça rivalizar em qualidade com a Filosfia Aberta, da Gradiva. Longe vão os tempos em que apenas as Edições 70 se arriscavam no campo dos lançamentos filosóficos.

Emigrem!

Dizia o outro, há uns tempos. E o povo faz-lhes a vontade. Ainda hoje (ontem) na sic, aparecia um casal na manifestação do dia a propósito da greve geral. E ele clamava contra isto e aquilo e dizia que se tinha ido despedir - calculo que vá emigrar. É assim mesmo, faça-se o jogo do capital apesar de se clamar contra ele. Emigre-se, movimentem-se pela Europa e pelo Mundo e multipliquem o valor, a mestiçagem e tudo o mais que alegra os que gerem as marionetas, mesmo quando elas se pensam autónomas. Porque fazer alguma coisa faz-se aqui. A mudança tem de começar aqui e não é fugindo que se altera qualquer coisa. O futuro melhor começa aqui. A conversa de que já não há nada a fazer por cá e que isto não tem volta é conversa de merda e de desertor a quem apenas interessa a componente material da vida.

Domingo, 20 de Novembro de 2011

Contos Escolhidos

Veio via Dom Quixote, como dizia o outro que tinha mais erudição num dedo mindinho do que esses paneleiros e paneleiras que andam por aí armados em vedetas e grandes críticos. Umas boas merdas, é o que são, nem lêem por inteiro os livros que lhes chegam às mãos, olham para eles e depois dizem que os leram em francês e relêem nas férias em latim. Vão levar no pacote, mas é.
Bem, quatrocentas páginas de contos, boa parte delas já por aí andava, talvez numa tradução não tão chique, mas conta a intenção. Certo é que naquela altura toda a gente tinha amantes, a burguesia e a nobreza copulavam de grande e os patrões emprenhavam as criadas. Uma pouca vergonha e ainda dizem que hoje em dia o mundo está perdido. Vão mas é levar no pacote.
Muito lindo este volume, a não desmerecer da bonita colecção em que está ínsito. E escrito em português, não é como aquelas e aqueles tristes que aí andam, a respeitar o aborto ortográfico. Mete nojos, é o que são. Guilherme Malpassado no seu melhor.

Sábado, 19 de Novembro de 2011

Vítor Pereira e a SAD

Continuem a aguentá-lo que está a fazer um excelente trabalho. Já só perdemos dois títulos de três possíveis. Quarta-feira vamos lutar para não levarmos quatro ou cinco na Ucrânia. E depois é mantê-lo até apo fim da época a lutar pelo quinto ou sexto lugar e o apuramento para a Liga Europa. Apesar de tudo, não esqueçamos que o maior responsável disto tudo é o Judas Boas.

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Primavera árabe


Fotografia tirada no Egipto. Mas podia ser na Tunísia, na Líbia, ou em outros países que agora já têm liberdade.

nas Montanhas da Loucura


Nova edição na Relógio d'Água. Como erudito tremendo e grande admirador de Lovecraft não posso deixar de ficar feliz com mais esta edição. Mas, ao mesmo tempo, pergunto qual a necessidade de lançar pela quarta vez este texto. Já existia uma edição na Dom Quixote, outra na saída de Emergência (num dos volumes dos Melhores Contos) e mais uma na colecção 11/17. Esta é a terceira em pouco tempo. Por outro lado não existe em tradução portuguesa qualquer volume da correspondência lovecraftiana. Não seria mais relevente enveredar por aí em vez de reproduzir textos facilmente acessíveis no mercado?

Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011

Momento etnográfico

Visite a bonita vila da Sertã. Delicie-se com os maranhos, passeie pela ponte velha e prove a maravilhosa aguardente de medronho, gozando ainda da hospitalidade das gentes do pinhal.

Excitações

Os merdia andam hoje excitados com a notícia das buscas à casa de Duarte Lima. É curioso que o homem tenha sido acusado pela polícia brasileira de um crime que fez com que o seu nome fosse vilipendiado até mais não para que depois ocorresse por cá uma acção concreta relacionada com esquemas do BPN. Coincidência, certamente. Mas não se pode pedir á polícia brasileira que acuse mais uns quantos de infracções, nem que seja ao código da estrada, para ver se vai alguém preso no caso BPN e em outros casos de outras trafulhices?

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

Conselhos

A troika recomenda reduções nos salários do sector privado. E há também muitos funcionários públicos. A solução é simples: há que despedir toda a gente (assim já não se baixam os salários) e colocam-se umas vedações electrificadas à volta do país. Deixam-se cá meia dúzia de indígenas e cria-se uma grandiosa reserva natural para executivos de topo da Europa civilizada fazerem por cá uns safaris.

Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

750 euros

Os noticiários anunciaram hoje que o governo se prepara para conceder um incentivo de 750 euros aos médicos que se queiram fixar no interior, realizando aí o internato. É justo. Nós aqui não temos luz, água canalizada e esgotos. O pão costuma ser de três dias e andamos todos de navalha no bolso e caçadeira a tiracolo. Por isso, um subsídio de risco nunca fez mal a ninguém. Palhaçada de merda é o que é. Mais uma vez aqui temos portugueses de primeira e de segunda. Por que razão hão-de suas excelências ganhar mais, nem que seja um euro? Hoje, vive-se tão bem ou melhor no interior do que no litoral. Pudesse eu voltar a dar aulas em Castelo Branco e fá-ló-ia já amanhã sem pedir aumentos ou subsídios. Pudesse eu viver no interior e fá-lo-ia satisfeito. Até porque, hoje em dia, só um perfeito idiota acha que a vida é melhor em Lisboa, Porto e áreas metropolitanas do que em Castelo Branco, Covilhã ou outra cidade média do interior.

1ºde Dezembro

Sobre os feriados religiosos que a Igreja tenciona abolir não me pronuncio. De uma seita de renegados que envergonha o catolicismo não se espera grande coisa. Mas quanto ao 1º de Dezembro, que o governo quer eliminar, uma coisa é certa: que aos capitalistas e esquerdistas apátridas a noção de identidade e independência não diga nada é certo e sabido. A mim, como me diz alguma coisa, com ou sem feriado continuarei a celebrar a Restauração da Independência no dia que lhe cabe e sempre com uma certeza: a de que a 1 de Dezembro não estarei a trabalhar, mesmo que um governo ou um patrão decida em contrário.

Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

Correcção

São dois artistas de valor, afinal, o Lou e o Edgar. O Edgar mais que o Lou, e os bonecos também não são famosos, mas é o que se pode arranjar.

Um artista de valor

Domingo, 13 de Novembro de 2011

Introdução à Filosofia da Religião

Muitas e boas introduções a diferentes disciplinas da Filosofia já se encontravam disponíveis em Portugal, em grande medida graças ao excelente trabalho da Gradiva. Uma das áreas em que se fazia sentir uma ausência mais acentuada era, precisamente, a da filosofia da religião apesar de termos o óptimo Será que Deus Existe? de Richard Swinburne. Agora, a Verbo fez-nos o favor de editar este excelente volume da autoria de William L. Rowe que, juntamente com o autor já citado e Alvim Plantinga faz parte do trio responsável por boa parte do renascimento do interesse por esta área de estudo.
Começando pela problemática da disciplina e por uma caracterização clara e sucinta dos assuntos que a motivam, o presente volume continua com uma viagem por alguns dos grandes problemas debatidos pela filosofia da religião a partir de uma análise essencialmente teísta dos mesmos, embora sem esquecer outras visões possíveis. Assim, são-nos oferecidos e discutidos os principais argumentos acerca da existência de Deus (a exposição do argumento ontológico de Santo Anselmo é de uma clareza notável), a questão da imortalidade e suas possibilidades, o velho problema do livre-arbítrio, o problema do mal e sua afronta aos principais atributos divinos e mais uns quantos elementos de debate assistidos por uma clareza de exposição e por uma análise lógica que fazem da presente obra um instrumento de iniciação, revisão, reforço ou como se queira considerar, particularmente relevante no plano editorial filosófico.

Sábado, 12 de Novembro de 2011

Isso é que eu gosto deste artista!!!

Esqueci-me de o referir anteriormente.

Tennesse flat top box

A escavação


Saído na Antígona há pouco. Estou à espera de o receber e quando o ler deixarei aqui a minha espectacular resenha. Seja como for, fica já aqui a referência para aquela que dizem ser mais uma grande visão distópica das coisas. Ou, pelo menos, de parte delas.

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Amato Lusitano

Amanhã, último dia do congresso sobre Amato Lusitano a decorrer na Biblioteca Municipal de Castelo Branco. Integrado nas comemorações dos 500 anos do nascimento do mais ilustre dos albicastrenses. E eu, como erudito tremendo, já cá tenho uma boa pilha de comunicações e revistas e afins sobre o meu conterrâneo, a medicina judaica e mais uns assuntos de valor para me entreter nos próximos tempos.

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Então não foi por causa da liberdade?

O Diário Económico refere hoje as sábias palavras do capitão Otelo de Abril segundo o qual, se os militares continuarem a perder direitos, será mais fácil uma revolução do que em 1974. Espanto-me com isto. Direitos? mas então os militares não fizeram a jubilosa revolução dos cravos para restaurarem a liberdade perdida? que o tivesse sido há dezenas de anos e a coisa só ocorresse naquela altura não invalida a nobreza do gesto, mas pronto. Os livros sempre disseram que o povo e os militares queriam liberdade. Falar-se em direitos até pode levar a pensar que havia questões de carreira e dinheiro aí metidas. Qualquer dia ainda se põem a ensinar às criancinhas que as revoluções se fazem apenas para melhorar as condições de uns quantos. E nós sabemos que não. É sempre pela liberdade.

Domingo, 6 de Novembro de 2011

Acção espontânea de cidadãos anónimos

Parece que hoje oito fulanos (ou melhor, activistas) decidiram acorrentar-se a um portão ou coisa parecida como forma de protesto contra a construção da barragem de Foz-Tua. Não sei se têm razão ou não, provavelmente devem ter tanta como tinham os "activistas" de Foz Côa onde hoje, todos os dias, milhares de turistas aprendem deliciados as maravilhas da arte rupestre. O mais engraçado no meio disto tudo foi ver um indivíduo da Quercus, citado pela Sic, dizer que foi uma "acção espontânea de cidadãos anónimos". É isso mesmo. Iam ali os oito, em passeio domingueiro, e pergunta um: - Então ó amigos, vamos já para casa? E responde o outro: - Não, ainda é cedo. Vamos ali acorrentar-nos de forma espontânea. - Então e as correntes? - Tenho aqui. Trago-as sempre que saio de casa. Nunca se sabe quando é que um gajo quer protestar. -Boa! mas com a televisão aqui é que era mesmo de valor. -Ah, por acaso já telefonei para a Sic. Também é um hábito que tenho quando saio em passeio. Nunca se sabe se acontece algo de interessante.
E foi assim que, de forma absolutamente espontânea e natural, estes bravos activistas mostraram ao mundo a sua indignação. Aproveite e faça o mesmo. Torne-se um activista, mas apenas de causas sancionadas pelas redacções, claro.

momento publicitário

Visite a Ericeira e goze da excelência das suas praias e da hospitalidade das suas acolhedoras gentes.

Um país de javardos

O JN noticia hoje que são cada vez mais os casos de alunos que aparecem na escola mal alimentados e acrescenta que nos serviços de papelaria e bufete terá havido uma quebra de trinta por cento nas receitas. Independentemente da veracidade ou não do conteúdo desta notícia experimente-se passar os olhos pelos comentários à mesma. O que aí temos é unicamente conversa de gente suja, mesquinha e invejosa. Certo, a humanidade é mesmo assim. Mas parece que por cá a percentagem de javardos é maior do que seria de esperar (apesar de não ter números exactos para isso). E com gentinha desta volto a perguntar: vale a pena ser-se nacionalista e acreditar-se na restauração? se calhar vale, mas só se for com uma população equivalente à dos tempos da fundação da nacionalidade.

Sábado, 5 de Novembro de 2011

O Futuro da Europa

Em França, nos últimos dias, verificou-se um ataque á pedrada a uma procissão católica e o incêndio criminoso de um jornal que ousou fazer humor com o islão. Em ambos os casos, dois entre muitos, os responsáveis foram adeptos da religião da paz. Em Cannes discute-se a Europa, o futuro, dela e do euro e do que vem por arrasto. O problema é a Grécia e os juros e o default (em inglês, que é mais chique) e a construção da Europa e mais não sei o quê. O problema verdadeiro, esse, é naturalmente colocado à margem e nem sequer se presume que exista. Mas, a ser resolvido o problema financeiro e tudo o que o envolve, mantém-se o essencial: a progressiva ocupação do continente, a sua morte demográfica, o erodir da sua herança e da sua identidade, substituída pela dos invasores com a cumplicidade dos traidores. De modo que se pode perguntar de que serve ganhar o euro e equilibrar as finanças se acabaremos por perder a identidade e a alma?

Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Sem governo não há cultura!

Já sabemos que o erudito Baptista bastos não diz nada de jeito. Desta vez vem no DN a exprimir a sua indignação pelo facto do governo ter deixado passar em branco o centenário do nascimento do grande escritor Alves Redol e do não menos grande e quiçá até maior Manuel da Fonseca. Por estas e por outras percebe-se por que razões acabámos a mendigar à Europa. Para este intelectual de esquerda, assim como para outros da mesma trupe, não cabe na cabeça que o estado não tem nada que se meter em celebrações do género. É para isso que existe essa coisa a que chamam a sociedade civil, que tanto gostam de citar quando alguns dos seus acampam no meio da rua por causa de causas nobres e humanas. O governo, o estado, tem mais com que se preocupar do que com celebrações patetas. Celebrar, quando muito, os maiores. E neste caso não me parece que os senhores o sejam. Se os comunas de serviço e os intelectuais do subsídio querem festa então que se juntem, façam umas rifas, paguem umas quotas e depois façam uma cerimónia com plaquinha e tudo. Por alguma razão existe iniciativa privada. Só na concepção de comunas e eurocratas sem capacidade de aprendizagem existe a noção de que o estado deve interferir em tudo.

Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

O escândalo grego

Os mercados e os liberais e essa gente que interessa, todos ficaram horrorizados, chocados, surpreendidos com o anúncio do referendo. Ainda por cima depois de quem conta ter decidido perdoar metade da dívida e mais não sei quê - como se não o fossem buscar por outras vias. Adiante. tendo em conta tudo aquilo que os gregos deram á Civilização até podiam endividar-se hiper-astronomicamente que ninguém lhes devia cobrar nada. Fora o que os alemães lá destruíram e roubaram durante a Segunda Guerra, mais os ingleses e todos os que ocuparam e saquearam território grego ao longo dos séculos ainda lhes devemos o facto de não terem deixado os Balcãs e sabe-se lá o quê mais terem caído nas mãos persas. Portanto, aquilo que eles devem e têm de pagar ou não é insignificante quando comparado com o que o mundo civilizado lhes deve. Porque Aristóteles, Platão, Diógenes, Zenão, Empédocles e etc valem muito mais do que uns ranhosos de uns milhões de euros e todos os banqueiros europeus e associados juntos.

Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

Ainda falta muito para sair?

É que já vai tarde. Ou é para esperar até Dezembro, quando já estiver tudo perdido?