Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

Ênquete (II)

O povo decidiu e é soberano. O mais popular personagem da Disni é o pato Donaldo, com 50% dos votos. Segue-se o rato Mique e a rata Mine, a grande distância. Deise, infelizmente, não obteve qualquer voto.
O segundo grande inquérito (ênquete) às preferências culturais dos portugueses diz respeito ao cinema. Na vasta plêiade de actores norte-americanos e de dinastias da sétima arte há uma que se destaca: os Starring. Ao longo de anos habituámo-nos a ver, respeitar e, porque não dizer, amar os grandes nomes que constituem esta família. Mas qual deles é o maior? É esse o desafio que lançamos esta semana aos portugueses e portuguesas e aos cinéfilos em geral. Starring, Also Starring, Co Starring ou Guest Starring? A palavra e o voto ao povo (mas sem sujar a tela com nódoas de chouriço).

tédio boys (VI)

Sexto dia desse grande movimento nacional que apela ao regresso dos pais do movimento billie de Coimbra.

desemprego

Quase 13.000 professores colocados ou com o contrato renovado. Mais três mil horários por preencher que serão ocupados por quem ficou de fora. Mais umas centenas de substituições que surgirão entretanto. Não ficarão de fora 37.000 como afirma a fenprof, na sua hipócrita e falsa preocupação para com os professores contratados, com os quais nunca se ralou. Até porque desses supostos 37.000 muitos correspondem a indivíduos que concorreram pela primeira vez. De qualquer modo teremos entre 15.000 e 20.000 professores sem trabalho. E esse é um número preocupante. Junte-se-lhe o fim do emprego sazonal e teremos brevemente novo aumento da percentagem de portugueses desempregados. Mas importante, mesmo, é aumentar o irs.

Momento de humor

O povo líbio alcançou a liberdade.

poesia (VI) contra a sedução

Não vos deixeis seduzir:
não há retorno.
O dia está à porta,
já é vento de noite.
Outra manhã não virá.
Não vos deixeis iludir
porque a vida pouco é.
Bebei-a a grandes sorvos, porque não vos terá bastado
quando tiverdes de perdê-la.
Não vos consoleis:
resta-vos pouco tempo.
Quem está desfeito emurcheça.
A vida é maior:
nunca mais nada será vosso.
Não vos deixeis seduzir
por escravidões e por pragas:
o que pode ainda espantar-vos?
Morrei como todos os animais,
e não há nada, depois.
Bertolt "berlote" Brecht, Poemas do Berlote, edições progresso popular do povo, 1973

Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

O declínio da Europa

"Trata-se de uma política que glorifica a palestinidade, que instila na opinião pública ocidental uma versão imaginária da religião, da história e da civilização islâmicas, que obriga a Europa a rever a sua própria interpretação da sua identidade e da sua história, a fim de a tornar conforme com a visão islâmica da Europa."- Bat Ye'Or, cit. Alexandre del Valle, A Islamização da Europa, Civilização, 2009.

Tédio Boys

E a todo o momento continua a mobilização nacional pelo regresso dos Tédio Boys. Vem e junta-te à causa!

Alma

"Por mais que possas caminhar, nem que andes a vida inteira, nunca conseguirás encontrar as fronteiras da alma: tal é a profundidade do logos que ela traz consigo."- Heraclito, frg. 45, cit. por Gianfranco Ravasi, Breve História da Alma, Dom Quixote, 2011.

poesia (V) o portugal futuro

O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos á raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver á beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro.
Ruy Belo, Todos os Poemas, Círculo de Leitores, 2000

Segunda-feira, 29 de Agosto de 2011

Tédio Boys

Quarto dia da campanha para o regresso da banda aos palcos. Havemos de ver mais um concerto dos rapazes!

Guia de filosofia para pessoas inteligentes


É o livro do dia. Editado em 2007 e reeditado agora pela Guerra e paz, este livro de Roger Scruton divide-se em doze capítulos que abordam as questões de Deus, moral, música, história e etc, além de uma introdução onde se fala do porquê da filosofia. Para contrariar a esterilidade aparentemente frutífera da pseudo-filosofia continental das últimas décadas, um bom bocado de pensamento anglo-saxónico com a clareza que o caracteriza. Contra o estruturalismo, o existencialismo e outras parvoíces datadas que nunca deveriam sequer ter existido. Recomenda-se, como de resto o resto de Scruton.

Radiohead- Pablo Honey


A recomendação diária. Começava aqui a conquista do reino da música popular pelos cabeças de rádio. Pablo Mel dar-lhes-ia o impulso e, de um dia para o outro, o povo começou a entoar os acordes de Creep. Foi em 1993. A mim ofereceram-mo.

poesia (IV) Dos que ora son na hoste

Dos que ora son na hoste,
amiga, querria saber
se se verran tard' ou toste,
por quanto vos quero dizer:
porque é lá meu amigo.
Querria saber mandado
dos que alá son, ca o non sei,
amiga, par Deus de grado,
por quanto vos ora direi:
porque é lá meu amigo.
E queredes que vos diga?
Se Deus bom mandado mi dê,
querria saber, amiga,
d'eles novas; vedes porquê:
porque é lá meu amigo.
Ca por al non vo-lo digo.
Dom Dinis, Cancioneiro d'el-rei D. Dinis (antologia), Atlântida, 1960.

impostos (ou vale tudo para o estado não cortar na despesa e continuar a roubar)

Primeiro é o popular "imposto sobre os ricos". Num país de invejosos a coisa pega, claro. Escusado será dizer que a maioria dos ricos o é graças ao trabalho que produziu essa e outra riqueza. Escusado será dizer que aquilo que o estado retirar desse eventual imposto apenas servirá para continuar o desperdício.
Depois é o imposto sobre heranças e doações, abençoado pelo presidente que parece estar cada vez mais "progressista". Escusado será dizer que aquilo que o estado retirar desse eventual imposto apenas servirá para continuar o desperdício.
Vale tudo, portanto, para continuar a estourar e para prosseguir a saga do desperdício. Cortar a sério na despesa, está quieto. Continue-se com o saque, sobretudo quando a maioria, por puro ressentimento e inveja, o apoia.

Domingo, 28 de Agosto de 2011

Onde é que está o povo?

Quando eu era petiz, há mais de trinta anos - vai-se ficando velho -, recordo-me de tocar o sino na aldeia materna quando havia fogo. E então lá ia toda a gente, homens e mulheres, fazer o que devia ser feito. Não sei se ainda continua a ser assim, há muitos anos que não vou lá, mas pelo que vejo na televisão em alturas de Verão parece haver cada vez mais a ideia de que os incêndios são uma coisa de bombeiros. Vem isto a propósito de uma notícia do Jornal de Notícias de hoje, segundo a qual um grupo de quarenta ciganos causou desacatos nas festas de Campo Maior. E foi a actuação da GNR que resolveu a situação. Calculo que estivessem alguns milhares de pessoas por lá. Calculo que tenham chamado a GNR. Calculo que cada qual se afastasse do local e pensasse que não tinha nada a ver com o assunto e mais valia estar sossegado do que arriscar-se a apanhar. E é por isso, por sermos cada vez mais calculistas, por sermos cada vez mais pretendentes a burgueses que a sociedade também se vai esboroando. Porque grupos como estes fazem o que fazem porque já não existe uma noção de comunidade e de pertença. Porque cada um quer saber de si e mais nada. Noutros tempos, teria sido diferente, talvez. Mas hoje em dia, quem acorre aos fogos ou ajuda alguém que está a ser sovado?

saldos rebajas sales (IV)

E mais alguns:
rob zombie-hellbilly deluxe
rob zombie-astro creep 2000
kiss-carnival of souls
hollow-modern cathedral
sow-je m'aime
crematory-live
today is the day-willpower

Ciência

"A ciência começa quando colocamos a questão 'porquê?'. Conduz-nos do acontecimento observado às leis que o governam e para diante a leis superiores e mais gerais. mas onde acaba o processo? se cada nova resposta levanta outra questão, então as explicações científicas ou são incompletas ou intermináveis (o que é outra forma de serem incompletas). Mas, nesse caso, a ciência deixa pelo menos uma questão por responder. Ainda não sabemos porque existem as séries de causas: o porquê deste acontecimento pode ser encontrado naquele; mas e quanto ao porquê do mundo? Os cosmologistas debatem as 'origens do universo', alguns defendendo um Big Bang, outros uma condensação lenta. Em relação á natureza do caso, no entanto, tais teorias deixam uma questão crucial por responder. mesmo se concluirmos que o universo começou em determinado momento do nada, há uma outra coisa que precisa de ser explicada, a saber, as 'condições iniciais' então obtidas. Algo foi verdade no momento zero do universo, designadamente que este notável acontecimento estava prestes a irromper para a existência, e para gerar efeitos de acordo com leis que já eram, nesse instante inicial, soberanas. E qual é o porquê disso?"- Roger Scruton, Guia de Filosofia Para Pessoas Inteligentes, Guerra e Paz, 2011.

saldos (III)





convém pôr as fotos.

tédio boys (III)


Terceiro dia da campanha para o regresso dos Tédio Boys.

Saldos (II)

Tudo a cinco (ou a mili, como se dizia outrora). Mais os portes. Só a linda pulseirinha é que vale dez. A coleira nunca foi usada (ofereceram-ma, não sei porquê). Faltam aqui fotos de ls dos Mayhem, Satanic Warmaster e Impaled Nazarene que não sei onde andam. Os cd's serão actualizados até ao fim da semana. Interessados mandem mail. Já não tenho figos nem ananases mas há ainda mel, beringelas e azeite novo. Todos os cds estão como novos, simplesmente quero-me desfazer deles porque já não os ouço há que tempos e não conto voltar a fazê-lo porque as minhas preocupações musicais são agora outras, dentro do metal e fora dele. Haja saúde!
am i blood- agitation
gorefest-chapter 13
primal fear-primal fear
section brain-hospital of death
sadist-crust (digi)
the blood divine-mystica
jag panzer-the fourth judgement
bruce dickinson-the chemical wedding
face down-the twisted rule the wicked
machine head-the more things change (digi)
consolidated-unity of opression
marilyn manson-antichrist superstar
deftones-adrenaline
therapy-semi detached
biohazard-mata leão
marisa monte-barulhinho bom (duplo)
esoteric-the pernicious enigma (duplo)
basilik.between light and shadow
vários-dark music for the new millennium
hammerfall-legacy of kings
guano apes-proud like a god
soulfly- soulfly (digi caixa preta ed.especial)
soulfly-bleed
overkill-from the undergroun and below
lacrimosa-elodia
lacrimosa-live
konkhra-weed out the week
fear factory-remanufacture
fundamental-with intent to pervert...
moloko-do you like my...
benediction-grind bastard
prodigy-the fat of the land
helmet-aftertaste
entombed-entombed
hiatus-old fashioned shit
inkisição/x-acto-split
workdogs-roberta
jane's addiction-nothing shocking
solefald-the circular drain
jimi hendrix-before the experience
bob marley-one love best of
bob marley-lively up yourself
mortiis-the stargate

Diário do Cárcere


Corneliu Codreanu. Para conhecer alguma coisa do movimento legionário e do seu nome maior. Mais um trabalho das Edições Réquila.

Pop Dell'Arte - PoPlastik 1985-2005


A sugestão musical do dia. Vinte faixas que contam a história desta banda. Edição de 2006 da different star.

poesia (III) Em certo reino, à esquina do planeta

Em certo Reino, à esquina do Planeta,
Onde nasceram meus Avós, meus Pais,
Há quatro lustres, viu a luz um poeta
Que melhor fora não a ver jamais.
Mal despontava para a vida inquieta,
Logo ao nascer, mataram-lhe os ideais,
À falsa-fé, numa traição abjecta,
Como os bandidos nas estradas reais!
E, embora eu seja descendente, um ramo
Dessa árvore de heróis que, entre perigos
E guerras, se esforçaram pelo Ideal:
Nada me importas, País! seja meu Amo
O carlos ou o Zé da T'resa...Amigos,
Que desgraça nascer em Portugal!
António "Tó" Nobre, Só, Ulisseia, 2001

Sábado, 27 de Agosto de 2011

música (II) Porkabilly Psychosis


Foi em 1994 que saiu. Se não é o melhor é, pelo menos, o mais enérgico lançamento de toda a década de noventa. Ficava aqui registada toda a vitalidade dessa banda que mudou Coimbra e fez ver ao mundo que a cidade era mais do que rapazes e raparigas de capa e parolos frustrados que se faziam passar por artistas. Aqui estava o roque e role em estado puro e bruto. A prole que se lhe seguiu foi muito boa, mas nunca atingiu o estatuto desta entidade quasi mítica. Ou mesmo mítica, vá. O meu exemplar deste trabalho foi-me entregue em mãos pelo próprio King Cake (Paulo Furtado) e não o venderia nem por 500 euros - mas se houver interessados podemos conversar acerca disso.

livros (II) Breve História da Filosofia Moderna


Mais um notável exercício de inteligência de Roger Scruton. Mais um notávels erviço da editora Guerra e Paz. Saiu este ano e nem vale a pena dizer mais nada.

poesia (II) Enquanto quis Fortuna que tivesse

Enquanto quis Fortuna que tivesse
esperança de algum contentamento,
o gosto de um suave pensamento
me fez que seus efeitos escrevesse.
Porém, temendo Amor que aviso desse
minha escritura a algum juízo isento,
escureceu-me o engenho co tormento,
para que seus enganos não dissesse.
Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
a diversas vontades! Quando lerdes
num breve livro casos tão diversos,
verdades puras são, e não defeitos...
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
tereis o entendimento de meus versos!
Luís de Camões, Poesia Lírica, Ulisseia, 2002

Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011

Passatempo (IV)

E cá ficam mais alguns conjuntos (as traduções à lagardére são uma homenagem às traduções selvagens da saudosa revista Kapa ):
Floresta dos Cárpatos (Carpathian Forest)
Os amantes Modernos (The Modern Lovers)
Demónios áticos (Attick demons)
Dá-me Borga (Dimmu Borgir)
Má Religião (bad Religion)
Os Rapazes da Besta (Beastie Boys)
O Monte dos Ciprestes (Cypress Hill)
Consolidado (consolidated)
Casa da dor (House of Pain)
Mais repúblicas maçónicas (More Republica Masónica)
Lançador de dardos (Bolt Thrower)
Velas de massa (Candlemass)
Os Pássaros (The birds)
Bandeira Preta (Black Flag)
Secção dos miolos (Section Brain)
Eu sou sangue (Am I Blood)
Ranho Santo (Saint Mucus)
Hoje é o dia (Today is the day)
Tolo (Tool)
Ânus (Manhole)
O Culto da ostra Azul (Blue Oyster Cult)
Nelo Diamante (Neil Diamond)
E há muito mais...

Frases que fizeram história (II)

"Prefiro acreditar na possibilidade de um boi voar do que na possibilidade de um irmão mentir."- S.Tomás de Aquino.
"Este gajo é mesmo um choninhas."- Frei Tuck.
" Sabem por que é que os larilas não tratam dos pomares? é por gostarem de fruta bichada! ah! ah! ah!"- Robin Hood.
"Vendes como eu não sou larilas? até digo piadas sobre eles. "- Robin Hood.
" Ó Junó, se por acaso passar na Malveira traga-me de lá umas trouxinhas se fizer favor que é um doce que a minha Josefina aprecia bastante."- Napoleão I.

Tédio Boys

Coimbra é a cidade que nos ofereceu a tristeza conceptual de muitos proto-artistas, mas é também a cidade que nos ofereceu o mítico Moçambique com a sua guarda de honra de drogados sempre à porta ou a States, simplesmente a melhor discoteca do país. Mas, acima de tudo, ofereceu-nos os Tédio Boys, a maior banda portuguesa dos anos noventa e não só. E numa altura em que tantas bandas se reunem para concertos e digressões pergunto-me por que razão não voltam eles, nem que seja só para um concerto. Por isso inicia-se aqui a campanha O Regresso do Tédio que propõe um grande sobressalto nacional e cívico que culminará com o retorno desta mítica banda. Em breve faremos circular um abaixo-assinado (agora chamam-se petições) e convocaremos uma marcha silenciosa para dia 15 de Outubro ( a marcha do tédio). Outras acções se seguirão. Porque Toni Fortuna, Vítor Torpedo e demais rapazes têm de regressar. Porque Coimbra e quem os viu nunca mais foram os mesmos depois da separação. E creio bem que eles também não.

O Diabo

Que não existissem outros - e existem - a nova direcção d'O Diabo teria sempre o mérito de fazer com que ele voltasse a ver a luz do dia. De jornal que tinha de ser pedido nos poucos quiosques que o recebiam, passou a ser outra vez um jornal visível na maior parte dos pontos de venda.

Frases que fizeram história (I)

"Um cú deve cheirar a cú e não a água de colónia."- Guillaume Apollinaire, As Onze mil Vergas.
"Ó Pierre, veja-se aí da possibilidade de se mandar lá uma esquadra para rebentar com aquilo tudo que o estafermo da gaja já nos matou o homem."- Luís XIII (ao saber da morte de Descartes na Suécia).
"O sacana aparecia-me aí às cinco da manhã para falar do cogito e mais não sei quê mas o que ele queria sei eu bem." - Rainha Cristina da Suécia.
"Andava sempre a dizer que não existia e que havia um génio maligno, mas aquilo era tudo manha para não pagar a renda." (Mats Gustafsson, senhorio de Descartes em Estocolmo)
"Bando de tarados doentios!" (Descartes)

sugestão musical (I)


The Raven, Lou Reed. O corvo, portanto. Dedicado ao Edgar e inspirado por ele. Com participações de Laurie Anderson, Blind Boys of Alabama e mais alguns. Comprado há uns anos no Jumbo bem baratinho, quando ainda se lá encontravam cds interessantes.

sugestão literária (I)

Contos. A colecção que andou a sair este Verão com o Diário de Notícias. De há uns anos a esta parte quer o DN quer o JN oferecem colecções de livros, geralmente contos, durante o Verão. Este ano foram vinte e sete livrinhos numa colecção bem simpática e com alguns autores bem interessantes. É a única altura do ano em que vale a pena comprar o jornal.

Poesia (I) Ó Mãezinha

Ó mãezinha não te deves chatear
estamos todos juntos aqui a brincar
ó mãezinha não te deves chatear
porque os meninos brincam sempre assim.
A galinha preta põe ovos brancos
busca comida junto ao rio
e o rapazinho sorri contente
e ao sorrir fez-me sorrir a mim.
Baby tv

Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

Passatempo III

E mais alguns nomes de conjuntos, desta vez com os originais entre parentes:
Danação (damnation)
Inquisição (inquisition)
Reverendo Bizarro (reverend bizarre)
O som (the sound)
Reverendo das hortas quentes (reverend horton heat)
Tomás esperas (tom waits)
Bruxa angélica (angel witch)
Artur (arcturus)
Gozo do catano (bestial mockery)
Lulu ceguinha (lulu blind)
Chacinador de freiras (nunslaughter)
Imperador (emperor)
Espinhos (thorns)
O Nirvana (Nirvana)
Os palhaços (the pogues)
Os míscaros (the misfits)
Gatos do lixo (garbage catz)
Capricórnio (capricornus)
Contínua Chorosa (Gontyna Cry)
Terra dos túmulos (graveland)
Mantenham-se afastados do kalessin (keep of kalessin)
Oftalmologista (ophtalamia)
Roberto morto-vivo (rob zombie)
Dissecção (dissection)
continua...

E há 111 anos...

... desaparecia Frederico Nietzsche, um do responsáveis pela actual praga relativista. É engraçado como somos influenciados por ele quando jovens. Na altura lemos os livros do homem e pensamos que sabemos tudo e que vamos enfrentar o mundo e arredores. Mas não. Não sabemos nada e se continuarmos a ler e aprofundarmos os conhecimentos filosóficos percebemos o embuste. Mas só ficamos vacinados alguns anos depois, o que não é mau. Porque alguns ficam por ali e vêem no alemão o fim de toda a filosofia quando há outros muitíssimo melhores que ele, mas com o defeito de não escreverem de forma tão visual.

A partir de amanhã

O regresso da poesia diariamente.
E uma sugestão literária diária.
E uma sugestão musical.
E muito mais que isso.
Os sorteios com magníficos prémios estão ainda em suspenso devido ao fim dos governos civis, mas logo que essa situação esteja resolvida avançaremos.

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

saldos
















Lindas long sleeves, de quando era jovem, a cinco euros cada (mais os portes). Como se vê estão em bom estado. Faltam algumas que colocarei depois. Também tenho mel e ananases e figos.

Radar Kadafi

Perante tudo o que se tem passado, e passa, na Líbia será que o TPI vai perseguir o antigo conjunto dos anos oitenta e início de noventa que dava pelo nome de Radar Kadafi?

Passatempo II

porque isto é um fartote de rir, uma autêntica barrigada de riso, aqui ficam mais conjuntos:
Crucifixação negra.
Bruxaria negra.
Tranquilidade negra.
Funeral negro.
Esotérico.
Túmulo esquecido.
Dança céltica.
Trono do lobo.
Toca.
Deicida.
Espinho de sangue.
Ira.
Friorento.
Nevoeiro fúnebre.
Mal encarnado.
Abrupto.
Absurdo.
Disciplina.
Pelos Bosques.
Nazareno Empalado.
Gargarejo.
Polpa.
Nicolau Caverna e as sementes malignas.
Paralisia permanente.
Os vaselinas.
Foguete a partir da cripta.
Mutilação.
Feitiçaria.
Negros filhos do inferno.
Antes dos outros todos.
Kennedys mortos.
Ranço.
Diamante galado.
Mansão da marília.
Fornicadores da escumalha.
Caçadores de porcos.
Rancho dos coelhos.
A arte do super pop.
Continua...

Passatempo

Retomo um dos meus passatempos favoritos, a tradução para português de nomes de bandas:
A cura
A divisão do prazer.
As portas.
O Zeppelin do Led.
Quem.
Irmãzinhas da Caridade.
O culto.
Cabeça de Radio.
Cabeça de Delta.
Cabeças de Limão.
Berço da Escumalha.
Amorfos (fósforos, portanto).
Eu hei-de amar o Amon.
Nilo.
Confusão.
Trono Negro.
O Legendário Homem Tigre.
Pistola de Raios.
Os rapazes do tédio.
A loira.
As pilas zumbidoras.
Os vampiros de Rostoque.
Londres depois da meia noite.
A Missão.
As pistolas sexuais.
Imagem Pública limitada.
Nós somos os danados.
O (relógio) Omega diz que é hora da morte.
Joãozinho dinheiro.
Guizinho ídolo.
Esteves maravilha.
Pecado sagrado.
Mestre de guerra satânico.
Rebeldes racistas de pescoço vermelho.
Ódio abissal.
Rei diamante.
Fé misericordiosa.
Cebolais de cima.
Combustível para um assassino.
etc.
Amanhã há mais. Continuaremos então a ver como alguns nomes que até soam bem em inglês são completamente disparatados, revelando bem a falta de juízo de quem os criou e ainda mais de quem os aceitou. Note-se que alguns destes nomes são de bandas portuguesas. A partir de hoje vou deixar de dizer "bandas" para passar a dizer "conjunto" como antigamente.

3 dias

Após uma sessão de duras negociações os sindicatos de professores, com a Fenprof á cabeça, conseguiram fazer com que o ministério cedesse. As listas de colocações de professores saem a 31 de Agosto e não vai ser necessário apresentar-se na escola logo no dia 1 de Setembro. Agora há três dias para o fazer. Está mais uma vez demonstrada a grande utilidade das estruturas sindicais após esta estrondosa e retumbante vitória que vai de encontro aos legítimos interesses de milhares de professores.

150.000

Mais ou menos. O número de estrangeiros que adquiriu a nacionalidade portuguesa nos últimos cinco anos, desde a antrada em vigor da muito mais humana lei que regula as naturalizações. Está explicada a razão pela qual o número de estrangeiros em Portugal anda à volta dos 450.000 há uns dez anos ou mais.

E daqui a pouco mais de meia hora...

... vamos todos apoiar o Twente!

A Caixa


O número 137 da brilhante colecção Bang! é um conjunto de contos da autoria de Richard Matheson. São doze, mais concretamente. Uns melhores, outros mais fracos, entre eles há a destacar pesadelo a 20.000 pés de altitude, adaptado para televisão na famosa série Twilight zone; A dança dos mortos é uma bizarria futurista num mundo pós-apocalíptico; Fúria Íntima trata do pecado da ira e das consequências a que pode conduzir e por aí em diante. O conto que dá nome à colectânea é mais uma variação sobre o mito platónico do anel de Giges. Um volume muito recomendável, portanto, para quem gosta do género. Quanto aos que não gostam só podemos lamentar. A edição é da Saída de Emergência, a editora que mais tem feito pela literatura fantástica em Portugal desde a Estampa e a colecção livro B.

Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011

O Diabo e Outros Contos


De Lev Tolstói. Editado pela Relógio d'Água em 2008, mas nunca é tarde para ler. Seis contos. O primeiro é O Diabo, sobre a tentação, a luxúria e a queda do homem e a sua perdição. Em compensação, O Patrão e o Moço de Estrebaria mostra-nos a ganância e a possibilidade da redenção. O Padre Sérgui oferece-nos o pecado do orgulho e o caminho difícil da salvação. Depois do Baile diz-nos qualquer coisa acerca do acaso e de como um passeio matinal pode mudar uma vida. Albert é sobre o poder da música, da arte e aqueles que por elas são submetidos e em Três Mortes temos a reflexão sobre a morte, os últimos dias e a velha questão do sentido. E mais nada, que o melhor é mesmo ler.

Sábado, 20 de Agosto de 2011

H.P. Lovecraft


O maior escritor de literatura fantástica do século XX. Nascido há, precisamente, cento e vinte e um anos.

precariedade, escravatura e estupidez

De acordo com o Jornal de Notícias os "precários e indignados" vão voltar a sair à rua em Outubro - antes não pode ser porque até eles têm direito a umas merecidas férias. A peça jornalística é reforçada com uma entrevista a uma moça de génio, a Paula Gil, jovem de causas, de activismos e um dos nomes do protesto á rasca. Diz ela, num momento sublime, que os jovens "...sujeitam-se a entrar nas empresas sem contrato de trabalho, com estágios não remunerados ou a recibos verdes durante anos. É uma passagem por uma fase intensa de escravatura. A precariedade está a levar à escravatura." Podia acrescentar que também está a levar à estupidez ou à desonestidade, mas não há provas evidentes de que assim seja. De qualquer modo não deixa de ser curiosa a tendência crescente para uma desvalorização semântica dos conceitos. Não sei o que passa pela cabeça desta gente para falar em escravatura. Claro que numa sociedade como a nossa qualquer coisa, comportamento ou afim que vá contra os "direitos adquiridos" adquire de imediato o rótulo adequado, colocado pelos novos modeladores da linguagem e seus pequenos sequazes. No caso presente apetece perguntar a esta gente se sabe o que é escravatura e se não tem vergonha na cara para falar da mesma a propósito de precariedade. Claro que esta não é muito agradável - eu próprio sou precário há mais de quinze anos e não me importava nada de pertencer aos quadros -, mas equiparar a mesma à escravatura é um abuso claro, uma violação conceptual e uma falta de respeito para com quem foi (ou é), de facto, vítima de escravatura - ainda para mais vindo isto das áreas que dizem preservar tanto a memória e a lembrança. Que há gente a trabalhar em condições deploráveis é evidente, mas dizer a propósito de alguém que trabalha doze horas seguidas numa loja ou anda a recibos verdes ou etc que é vítima de escravatura só mesmo numa sociedade que já perdeu a noção das coisas.

Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

Onde é que está a indignação?

Deve andar por aí, perdida. Ou então foi toda consumida nos protestos contra a visita papal. É que ontem foram assassinados sete civis em Israel. Vítimas de ataques terroristas, dois deles eram crianças. Mas creio que podemos esperar sentados pela indignação e pelo devido destaque à notícia. A SIC, por exemplo, ocupada com as imagens da repressão fascisto-católico-conservadora-etc sobre os preocupados do mundo não deve ter grande tempo para falar disto. Ainda por cima sendo as vítimas israelitas. Porque se fossem da nacionalidade dos atacantes já teria havido marcha pela paz, vigílias de protesto e peças jornalísticas de levar ás lágrimas os mais insensíveis. Assim, como as vítimas são os novos nazis da comunicação social, não há tempo para lamentos.

Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011

O Homem e os animais

Homem, a tua desventura não tem fundo.
És demasiado e demasiado pouco. Com inveja
(embora aches que é com desprezo) encaras
ps animais, que livres de cuidados
e pudores, falam da vida
e das suas leis (e falam delas fundo.)
Umberto Sara, Poesia, Assírio e Alvim, 2010

A nova Europa


Em Londres. Mas contra isto não protestam os indignados e os activistas do mundo democrático.

Afinal, a visita do Papa fica em quanto?

Porque os activistas e os indignados andam muito revoltados (legítima e democraticamente, claro) com os custos da visita papal para o erário público convém perguntar qual o valor dessa despesa para o contribuinte espanhol. É que os solícitos repórteres de serviço, tão rápidos a mostrar e lamentar a brutalidade fascisto-policial ainda não nos esclareceram acerca desse item que tanto preocupa os generosos e preocupados homens e mulheres ateus e laicos e etc.

Autobiography, de G.K.Chesterton

"Observar gravemente que de todos os livros de Chesterton o único que não é autobiográfico é o livro Autobiography não é um paradoxo muito memorável, mas é a verdade quase pura. O padre Brown ou a batalha naval de lepanto ou o livro que fulminava aqueles que o abriam, deram a Chesterton mais oportunidade de ser Chesterton que este trabalho autobiográfico. Não censuro a obra, o meu sentimento primordial é de agrado e até às vezes de encanto, mas julgo-a menos típica que outras, e entendo que a sua plena degustação postula e pressupõe essas outras. Não é o livro que eu recomendaria para travar conhecimento com Chesterton. (Como livro inicial e de iniciação, eu indicaria qualquer dos cinco volumes das Histórias Completas do Padre Brown, ou o resumo da época vitoriana em O Homem que era Quinta-Feira, ou os poemas...) Em compensação, para aqueles que já são amigos de Chesterton, este livro conseguido e generoso bem pode ser uma nova ocasião de felicidade. O jornalista inglês Douglas West disse que era o seu livro mais alto. É o mais alto porque os outros o amparam.
É desnecessário falar da magia e do brilho de Chesterton. Eu quero ponderar outras virtudes do famoso escritor: a sua admirável modéstia e a sua cortesia. Os literatos que no nosso solene país condescendem no género autobiográfico, falam-nos de si mesmos num tom distante e reverencial como se falassem de um ilustre parente que ás vezes encontram nos velórios; Chesterton, pelo contrário, priva jovialmente com Chesterton e até se ri dele. Desta modéstia varonil há exemplos em cada página. Transcrevo este, do capítulo que se chama "O subúrbio fantástico". (...) Yeats declara num verso, olimpicamente: "Não há um imbecil que possa chamar-me amigo." Chesterton pondera e acrescenta: "Quanto a mim, acho que há muitos imbecis que podem chamar-me amigo e também - reflexão mais edificante - muitos amigos que podem chamar-me imbecil."
Jorge Luís Borges, Obras Completas, vol.IV (1975-1988), Círculo de Leitores/Teorema, 1999

A biblioteca privada de Hitler


Um dos mitos preferidos do esquerdalho, construído e mantido pelo próprio, diz respeito à ignorância e à falta de cultura da direita radical e do mundo conservador. O esquerdalho é assim, gosta de criar estas ilusões e de as manter, numa espécie de onanismo mental que o vai deixando satisfeito. Rapazes e raparigas com dificuldades de concentração e de raciocínio que lêem meia dúzia de livros, se tanto, e julgam deter a chave para a compreensão dos mistérios do universo. Junte-se a isto a soberba dos maiorzinhos, os intelectuais de esquerda, e temos um cenário deprimente mas altamente recomendado pelos próprios, entretidos nas suas tertuliazinhas de trazer por casa.
Um dos visados pelo mito é, precisamente, Adolfo Hitler, de quem se diz ter sido um pintor medíocre, numa outra caracterização que faz as delícias da rapaziada mal vestida. Ora, este livro, que o esquerdalho nunca irá ler, não vá ele dinamitar-lhe convicções, é um trabalho de investigação notável e onde Timothy Ryback visita não só a biblioteca de Hitler mas alguns dos volumes que mais o influenciaram, outros que recebeu e nem sequer leu e mais alguns pelos quais foi passando os olhos. Por aqui ficamos a conhecer o hábito de ler até tarde, adquirido desde cedo, o orgulho nos seus primeiros livros, a quase obsessão por alguns outros. Investigação sem maniqueísmos, sem cair nos lugares comuns construídos pela historiografia. Em Portugal parece-me que só mesmo a Civilização o poderia editar. Eu, como sou um grande erudito, li a versão francesa que comprei na Fnac pouco tempo antes de sair a edição portuguesa - por desconhecimento e porque estava relativamente barata.

Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

Em Madrid, a escumalha saiu á rua

Naturalmente, como castrados que são, apenas fazem disto com a Igreja Católica. Porque a "irreverência" destes "activistas" é muito selectiva e cuidadosamente planeada de modo a preservar a saúde e o bem estar, razão pela qual nunca vemos destas brincadeiras com minorias ou maiorias protegidas pelo politicamente correcto, com religiões mais combativas ou com qualquer realidade que possa responder de forma mais aguerrida às provocações desta escumalha.

E há 75 anos, precisamente...

... uns quantos impotentes cujo nome a História nem sequer se digna registar assassinavam Garcia Lorca, um dos nomes máximos da poesia de língua castelhana.

por estas e por outras cada vez ligo menos à bola

Castro, o jogador portista que provavelmente mais vive aquele clube, voltou a ser emprestado ao Gijón. É triste.

terrorismo cristão

Parece que foi preso, em Madrid, um jovem mexicano suspeito de preparar um ataque contra os protestantes anti-para que vão desfilar pela capital do estado laico com tendências ateias. Naturalmente, a esta notícia é dado destaque por parte da comunicação social, a mesma que não dá conta dos crimes islâmicos que diariamente ocorrem pelo mundo fora. Disse "islâmicos"? claro que não. Aqueles que cometem tais acções não são verdadeiros muçulmanos, pois claro. Ao invés, o criminoso da Noruega era cristão, macónico é que não. E este jovem mexicano é católico, de certeza. Porque a imprensa, as televisões e os pensadores de trazer por casa nos garantem que é assim. E hão-de descobrir que este jovem, além de católico é nazi, fascista e racista. Ou, pelo menos, capitalista e da Opus Dei, vá. E contra a ordenação de mulheres e o "casamento" larilas.

O desemprego desceu!

Fixe. De 12.4 para 12.1%. Mas não há problema. Em Setembro, com a redução de empregos na hotelaria coincidente com o final do verão, e com o despedimento de muitos milhares de professores contratados voltaremos a aproximar-nos da Espanha e de outros países da Europa civilizada.

Onde é que está a primavera?

Passada a primavera e a emoção democrática de quem vê o que quer ver, resta o quê? Um Iémene cada vez mais instável e mais próximo de se tornar um estado falhado. Uma Síria que oscila entre a repressão e a probabilidade de um massacre de alauítas e cristãos se os sunitas tomarem o poder. Uma Líbia com seis meses de guerra civil e infraestruturas modernas arrasadas. Um Bahrein onde a repressão governamental calou as reivindicações populares e onde a alternativa ao poder actual é uma democracia xiita. E uma série de países onde tudo ficou na mesma apesar das aparências.

Esquerdalho ecológico

Há quatro anos atrás, precisamente, um grupelho de facínoras destruiu um hectare de milho transgénico no Algarve perante a passividade das forças da autoridade, provavelmente sensibilizadas para a causa da ecologia. Naturalmente, como neste país não se protege quem trabalha, o proprietário do terreno viu o mesmo ser posto a saque pelo ululante bando ecológico. Naturalmente, se o bando fosse de rapazes e raparigas com cabelo curto teria havido exemplar punição. Naturalmente, como os malandrins tinham cabelo comprido e roupas coloridas nada se passou. Ainda por cima tinham nome de "activista avant la lettre" e isso, já se sabe, é extremamente importante para a comunicação social e para a intelectualidade palonça cá da zona.

O regresso da poesia

A pedido de milhares de leitores. A poesia regressa hoje. E logo com Edmundo de Bettencourt, para muitos o maior poeta madeirense de sempre.
Noite vazia
Crescimento do silêncio a devorar as nuvens.
Voo incansável e monótono das aves brancas do cérebro.
Florida e ondulada suspensão da mágoa.
As ferocidades são ternuras desmaiando na estepe adivinhada.
O amor abre goelas bocejantes nos côncavos da ausência do espaço.
E a morte espreitando a lentidão
Irradia baçamente a sua despedida.
Noite vazia.
As aves brancas do cérebro
Inutilmente abatem as suas asas!
Edmundo de Bettencourt, Poemas Surdos, Assírio e Alvim, 1981.

Terça-feira, 16 de Agosto de 2011

Conservadorismo

"É comum a ideia de que os velhos são os conservadores típicos e os jovens são os inovadores. Não é bem assim. os conservadores mais típicos são os jovens, os que querem viver mas não pensam nem têm tempo para pensar como viver e que, por isso, optam pelo modelo de vida já existente."
Lev Tolstói, O Diabo e outros contos, Relógio d'Água, 2008.

Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

Introdução à estética


Porque o erudito, mesmo quando tremendo e imenso como é o meu caso, nem sempre pode ler tudo o que sai no momento em que sai, só agora aqui fica esta referência a um bonito livro publicado na colecção Filosoficamente. Trata-se da Introdução à Estética, de George Dickie, editado pela Bizâncio. Uma abordagem analítica a diferentes visões e correntes da estética ao longo do tempo, com especial destaque para o século XX e mais a perspectiva institucional do autor. Muito útil para quem se interessa pelo assunto. Só não acho bem a imagem de um homem nú na capa, mas pronto, desta vez passa.

Domingo, 14 de Agosto de 2011

A civilização peninsular ibérica

"Civilização ibérica, sim. Sempre.
União ibérica, não. Nunca.
Aljubarrota mais Toro igual a zero.
Península Ibérica igual a Espanha mais Portugal.
A Península Ibérica já foi cabeça do mundo com a forte Espanha e o heróico Portugal. A Península Ibérica fez a América Latina.
A Península Ibérica espalhou por toda a terra o sangue de Espanha e os padrões de Portugal.
Ficaram eternos no mundo Espanha e Portugal. Pela primeira vez na História, dois povos independentes realizam uma mesma e única civilização: Portugal e Espanha criarama Civilização Ibérica.
O litoral da terra e as imensidades dos mares e dos continentes ficaram pela primeira vez ligados praticamente ao universal por iniciativa e feitos dos portugueses. Depois, os espanhóis participaram grandemente do segredo português, com uma expansão ultramarina ao lado da nossa. A descoberta dos caminhos dos mares, a descoberta dos novos continentes e a do perfil de todos os litorais e a primeira volta ao mundo, feitos por portugueses e espanhóis, foram o primeiro material para a unidade política da terra.
A dualidade Portugal e Espanha é afinal o segredo da vitalidade da península Ibérica e da sua civilização.
Portugal e espanha são dois opostos e não dois rivais. Os opostos são completamente iguais de um todo. Este todo está representado geograficamente pela península Ibérica e em espírito pela civilização ibérica.
A primeira parte da missão da civilização ibérica já foi cumprida: o império colonial português e o império colonial espanhol, a América latina, e o sangur português e espanhol espalhados pelo mundo inteiro.
A segunda parte da missão da civilização ibérica começa em nossos dias: criar a cultura do entendimento português e do entendimento espanhol, não só para os actuais peninsulares como também para todos os originários da nossa civilização comum e dual.
Além disto, pesam sobre as actuais gerações portuguesa e espanhola,as respectivas e comuns responsabilidades de criarem os novos colaboradores peninsulares do conjunto europeu e do universal.
Cada português terá de ser mais português do que nunca em face do espanhol mais espanhol do que nunca e sobretudo, portugueses e espanhóis teremos de ser mais portugueses e espanhóis do que nunca, em face do alemão mais alemão do que nunca, do inglês mais inglês do que nunca, do francês mais francês do que nunca, do italiano mais italiano do que nunca, do russo mais russo do que nunca, enfim, de todo e qualquer povo mais nacional hoje do que ontem, mais ele mesmo hoje do que nunca."
Almada Negreiros, Obra Completa - volume único, Editora Nova Aguilar, 1997.

Sábado, 13 de Agosto de 2011

Há 50 anos...

... o muro. Começava a edificação do muro anti-fascista. polémico, mas infelizmente necessário. milhares de pessoas fugiam todos os dias de Berlim Ocidental para o Leste. Queriam experimentar, viver o paraíso socialista. De um lado, a RFA do capital e da burguesia, da escravatura e da exploração. Do outro, a progressiva RDA. democrática, como o prório nome indicava. Popular, porque governada por e para o povo e onde este era quem mais ordenava e tinha em cada esquina um amigo. Todos os dias eram aos magotes os que tentavam aceder à liberdade e aos altos níveis de conforto de Berlim- leste. Infelizmente, os fascistas ocidentais insistiam na repressão e havia ordens para que todos os que tentassem atravessar a fronteira fossem abatidos ou, se capturados, internados em campos de reeducação. Por isso o governo da RDA decidiu edificar o muro. Para proteger da sanha imperialista aqueles que queriam escapar-lhe. Foi uma decisão dolorosa, mas entre ver os trabalhadores chacinados pelo exército burguês ou vê-los mourejar sob o jugo do capital escolheu-se a segunda hipótese, o mal menor. Porque havia esperança em que as lideranças ocidentais ouvissem um dia a voz da razão e caminhassem para o socialismo como já faziam os seus irmãos de leste. O muro foi apenas isso, um símbolo inequívoco da extraordinária visão da classe dirigente socialista e uma afirmação da sociedade de leste, um mundo superior onde havia fartura de comida, de conforto, de cultura, de tudo e onde ninguém adoecia e o leão pastava em paz ao lado do cordeiro.

Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

E a todo o momento...

... cresce o amor governamental pelo saque fiscal.

Ginger ale

Tenho reparado, quando almoço fora de casa, que sou o único a beber ginger ale. Se houver alguém que aprecie é dizer. Está na altura dos consumidores de ginger ale darem a cara e saírem do gueto a que têm estado confinados. Esta lógica de exclusão tem de terminar. Vamos unir-nos e afirmar a força do ginger ale e, quem sabe, fundar o núcleo dos amigos desta bebida que tão menosprezada tem sido.

Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011

À atenção dos sociólogos

Sabemos que o terrorismo é causado pela pobreza e pela opressão. O que não nos explicam é por que razão o Lesoto, a Suazilândia e outros países verdadeiramente pobres não estão repletos de terroristas e de suicidas.
Sabemos que os motins de Londres, assim como episódios de violência urbana ocorridos regularmente no mundo ocidental são causados pela pobreza, exclusão e racismo. Só não sabemos por que razão as castas inferiores na Índia, ou os pobres do Bangladesh, do Sudão, da República Centro-Africana e etc não se revoltam e escavacam tudo o que ainda podem escavacar. Mas a sociologia há-de explicar-nos isso um dia.

pesos e medidas

Num blogue do esquerdalho que dá pelo nome de 5dias, um tontinho qualquer diz que o que faz falta é que Portugal se transforme numa nova Inglaterra. É sabido que se algo semelhante fosse dito ou escrito aqui ou em outro local internético mais à direita não faltaria a respectiva perseguição judicial. No caso concreto, isto não é um apelo á violência? não, é apenas a expressão de um estado de alma porque, já se sabe, quando são uns com cabelo mais curto ou vestidos de preto a dizerem certas coisas temos o apelo á violência, mas quando são os das t-shirts do guevara e das sandalinhas e mochilas à tiracolo estamos perante desabafos.

ninguém é ilegal!

Os jornais e as televisões noticiaram ontem que um africano em situação ilegal sequestrou, violou e agrediu uma turista italiana durante dois dias. Parece que o sujeito vive numa espécie de pensão clandestina que acolhe outros ilegais, estando o fulano referenciado por tráfico de droga. Ora, se o homem já era conhecido das autoridades, se é ilegal, se mora numa pensão onde se albergam outros como ele e toda a gente sabe disso, por que razão não são estes gajos deportados? a doutrina do esquerdalho já será política oficial?

Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

de quem é a culpa da violência em Inglaterra?

É minha, pois claro. Por ser branco. Mas não é só minha. A polícia também é responsável. Porque ao exibir-se com escudos e bastões conduz esta juventude á revolta. Uma juventude desempregada, sem esperança e sem futuro, vítima do racismo e daexclusão social. Uma juventude à qual retiraram os clubes onde se entretinham a jogar sueca e dominó e bebiam uma cervejinha. Uma juventude que já não pode jogar dominó é uma juventude que tem de se revoltar e quer ser ouvida. Porque, o que é necessário é dialogar e estender a mão a estes jovens. Cada pedrada lançada á polícia não é uma pedra, é um pedido de ajuda. Cada saque é um apelo à compreensão de uma sociedade que exclui e rejeita. Porque estes jovens vêem os mais velhos, os reformados entretidos nas cartas, nas damas, no xadrez e eles são postos á margem. Porque só quem esteve sempre a ver os outros a jogar uma cartada sem nunca ser chamado a participar pode saber o que custa e o que dói este sentimento de estar fora, de ser rejeitado. É isto que tem de acabar. Só quando a sociedade souber dar as mãos para rejeitar a rejeição conseguiremos ter equilíbrio e tranquilidade. E amor. Porque, sobretudo, amor é o que é preciso. E é o que esta juventude pede.

Palavras leva-as os vento

E com o primeiro-ministro em férias (alguém ouviu dizer que não ia interromper o trabalho?) aí vem mais um aumento do IVA (alguém ouviu dizer que este governo não ia aumentar impostos?). Ah, é a situação internacional e a crise e o défice e tal. Pois, pois.

15M (15 merdas)

Em Espanha o movimento 15M (15 merdas) agendou uma "mánife" para dia 17, em protesto contra as Jornadas Mundiais da Juventude e a visita do Papa. Estes merdas podiam manifestar-se contra a fome na Somália, a violência na Inglaterra, na Síria, na Líbia ou em qualquer outro lugar, a opressão no Zimbabué ou em Myanmar, etc, etc, etc, mas preferem protestar contra o Papa. É natural. Além de garantir visibilidade mediática é isento de perigos. Os elementos do 15M (15 merdas) sabem que há protestos e protestos e nesta sociedade degenerada qualquer chibo que berre contra o Papa, o fascismo, o racismo, o capitalismo e mais uns quantos itens tem a simpatia garantida da comunicação social. Acresce a isto que em Espanha o esquerdalho continua sem digerir as consequências da guerra civil e, ao contrário dos outros, nem perdoam nem esquecem.

Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011

E em Londres continua o convívio multicultural

Por causa do desespero. E do racismo. E da falta de oportunidades. E da incompreensão. E do Bush. E do Papa. E do Sarkozy. E do Le Pen. E do Blair. E da falta de emprego. E da desilusão. E da crise. E da exclusão social. E da polícia. E da repressão. E do imperialismo. E da fome. E do capitalismo. E do racismo. E do fascismo. E da xenofobia. E do mercado. E do FMI. E... mas nunca por culpa de quem pilha e incendeia.

A normalização da pedofilia

Leio no Diário de Notícias que a publicação de umas fotos pela revista Vogue deu origem a uma polémica em França ou nos EUA, não sei bem. Vejo as imagens e parece-me haver razão para isso. Uma miúda de 10 anos aparece nas páginas da revista como se fosse uma puta e a expressão tem de ser esta. Maquilhada, de saltos altos, numa produção que é uma tristeza de se ver. Naturalmente, para a revista a coisa não passará de uma "brincadeira" ou de "arte" ou do que lhe quiserem chamar. Naturalmente, a revista será sensível aos protestos e até talvez venha a retratar-se dizendo que não queria chocar ou algo assim. No entanto, ficam as fotografias e fica o que foi feito. E o que foi feito enquadra-se num abrir caminho á normalização da pedofilia. Depois de colocado o rótulo da normalidade à homossexualidade e afins há poucos territórios sobre os quais se lance ainda o interdito e este é um deles. Por quanto tempo? não sabemos. Mas sabemos que produções deste calibre e outras aberrações como um concurso citado pelo DN e que faz sucesso nos EUA se enquadram numa banalização de comportamentos que, de tão repetidos, acabarão por se enquadrar na "normalidade" doentia desta sociedade ocidental. Entrevistada a propósito do caso nas páginas do jornal, a senhora Fátima Lopes desvaloriza o assunto. Sim, é verdade que as raparigas podem gostar de vestir roupas das mães ou das irmãs mais velhas assim como os rapazes gostam de jogar à bola. Mas uma coisa é fazê-lo em casa e de forma natural e espontânea e outra é aparecer numa revista à escala global. Esta miúda tem pais? tem. E até parece que a mãe já apagou a conta da pequena no facebook. Outra aberração. Para que quer uma criança de 10 anos uma conta no facebook? para os orgulhosos progenitores a exibirem como exibem nas páginas da Vogue? Enfim, pequenos sinais, pequenos momentos da decadência ocidental. Numa sociedade decente talvez esta criança andasse com as roupas da mãe, ocasionalmente. Mas uma sociedade decente não permitiria a exibição nojenta que se faz ali e, a permiti-lo, faria recair sanções sobre os responsáveis. Mas como nada disso sucede caminhamos alegremente em direcção a uma pós-modernidade cada vez mais moderna e no decurso da qual a pedofilia acabará inevitavelmente por ser aceite e recebida pela canalha "progressista" como sinal de libertação e avanço civilizacional.

geração à rasca

Reparo que não tem havido iniciativas por parte da geração á rasca. Bem, calculo que seja por causa das férias. Afinal, isto de ser "activista" também não pode ser sinónimo de escravatura, como eles dizem. A rapaziada deve andar a gozar um merecido repouso ao sol, algures por aí fora ou, quem sabe, na República Dominicana ou na Tunísia aproveitando a baixa de preços. Lá para Setembro deve regressar o "activismo" e as colagens de cartazes, sempre com a convocatória para a comunicação social, que isto de ser "activista" sem a presença de uma televisão é uma chatice.

Domingo, 7 de Agosto de 2011

Virtudes do multiculturalismo

Ontem em Sacavém, hoje em Tottenham, amanhã noutro ponto qualquer da Europa.

457.000

É o número de estrangeiros em situação legal no nosso país. Curiosamente, este número mantèm-se praticamente idêntico há uma série de anos. Juntem-se a estes milhares os ilegais e aqueles que adquiriram a nacionalidade depois de estarem por cá um par de anos - se tanto e teremos um número que não deve andar longe do milhão. Nós sabemos que os imigrantes são uma mais-valia em termos económicos e vêm para cá fazer os trabalhos que os portugueses não querem. No entanto é curioso verificar que este número excepcional coincide com a pior situação económica desde o 25 de Abril de 1974, o que leva a uma conclusão de duas: ou os portugueses são, efectivamente, uma cambada de madraços da pior espécie ou os discursos sobre as virtudes da imigração que nos têm sido impingidos não passam de uma refinada aldrabice.

O problema das revistas para homens

É não serem para homens. É terem por objectivo a edificação e consolidação do homem-novo, efeminado, aburguesado, apatetado. Uma revista para homens onde as gajas aparecem sistematicamente mais vestidas do que despidas ou com as mãozinhas muito pudicamente a tapar o que o povo quer ver é tudo menos o que anuncia. "-Ah, sugerir é muito melhor do que mostrar. Por causa do mistério da sedução." Isto é, objectivamente, conversa de larilas. O homem que se quer homem compra uma revista para homens porque quer ver mamas e cús em acção e não por querer ver "gadgets" e conselhos sobre cinema e livros merdosos e depilação e a porra. O homem que é homem compra revistas para homens pela mesma razão que o leva a ver filmes porno: quer ver mamas e cús em acção. O resto é lirismo e filosofia.

Sábado, 6 de Agosto de 2011

Os Contos Completos de Ambrose Bierce


De Ambrose Bierce já existiam vários títulos em português, desde as Fábulas fantásticas, na editorial Estampa (livro B) ao Dicionário do Diabo, na Tinta da China passando por uma edição de contos na Saída de Emergência lançada quase em simultâneo com o volume aqui citado. No entanto, a reunião dos contos do autor americano estava por fazer. Ei-la aqui, pela mão da Eucleia Editora, num trabalho que viu a luz do dia no final do ano passado. São noventa e dois contos, do fantástico ao humor, sendo estes últimos os mais fraquinhos. Quanto a mim, claro. Sinceramente, já não há paciência para este humorzinho jornalístico-pueril que entretinha as mentes no século XIX e ainda faz sorrir alguns (vejam-se tentativas similares vindas a lume na Saída de Emergência, na revista Bang!, por exemplo), mas que não tem a acutilância do Dicionário do Diabo que, apesar de brotar de cepa semelhante, consegue outra consistência. Uma coisa datada e que não deixa saudades. Pelo contrário, é no domínio do puramente fantástico e na ficção científica que Ambrose Bierce permanecerá, atingindo aí um nível que, por vezes, é excepcional. Um Acontecimento na Ponte de Owl Creek é um clássico desde há muito, mas outros contos há que não lhe ficam atrás. O Amo de Moxon é ficção científica da melhor, Um dos Desaparecidos uma incursão muito interessante pelo problema do determinismo, Haïta o Pastor uma reflexão sobre o velho problema filosófico da felicidade e depois temos o bom e absoluto terror do inexplicável numa série de trabalhos, alguns dos quais antecipando outros autores como seja o caso de Lovecraft no excelente A Coisa Maldita. Enfim, edição muito recomendável, apenas com o senão de texto respeitar essa abominação que dá pelo nome de "acordo ortográfico" e que me levará, provavelmente, a deixar de comprar livros caso as editoras nacionais optem por colocá-lo em prática. Ah, o tradutor é João Reis.

Humanismo

Esta semana tive notícias de um fulano que conheci há uns anos, pessoa muito humana e culta, homem do Bloco pois com certeza. Disseram-me que este sujeito casou e é pai de uma rapariga. Mas não quer mais filhos. Entre outras razões por que a esposa passou muito com a amniocintese. Claro que poderia não a ter feito mas acontece que o indivíduo, pessoa muito humana e culta, não queria ter um filho deficiente. Mas os programas de eugenismo do século XIX é que eram chocantes. As suas variantes do século XX e XXI são perfeitamente aceitáveis, sobretudo para esta gente de causas, humanistas até á medula, mas que depois não arriscam o "fardo" de um filho com eventuais deficiências.

É acabar com eles!

A direitinha blogueira anda indignada porque a direitinha governamental decidiu destinar 400 milhões de euros à ajuda aos mais carenciados. Um escândalo, de facto, susceptível de aumentar a dependência face ao estado e o clientelismo. Evidente. A solução para isto é acabar com os pobres. Mal vestidos e com pouca instrução, que andam eles aí a fazer? Ainda por cima comem á borla e agora dão-lhes medicamentos dentro do prazo para durarem mais e deixarem cá os genes... não se admite. Talvez uma solução à irlandesa seja então a necessária. Lembremo-nos da "modesta proposta para acabar com a fome na Irlanda". Se era exequível há três séculos por que não hoje? A direitinha portuguesa mostra, mais uma vez, a sua inenarrável estupidez. A leitura de meias dúzia de livros e umas quantas viagens a Nova Iorque e a Londres deu-lhes cosmopolitismo, mas não foi generosa em termos neuronais.

Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011

Indignados

Parece que houve porrada entre a polícia e os "indignados" de Madrid na noite passada. Ao ver as imagens lembrei-me daquele "indignado" a quem saiu o euromilhões ou a lotaria, já não sei, e perguntei-me o que terá ele já feito desde então para obviar ao sofrimento dos seus camaradas de acampamento.

Homem-aranha

Leio que o novo Homem-aranha vai ser, ou é, uma espécie de Obama por causa da diversidade étnica existente nesse paraíso que dá pelo nome de América. Certo. Agora exige-se que a proibição das aventuras de Tintim no Congo vá para a frente e que o Thor mude o nome para qualquer coisa indígena porque um herói com nome de deus nórdico é uma coisa claramente xenófoba.

Deputados

A propósito da chamada para o 112 que foi feita ou não foi feita, não interessa, apareceu uma senhora deputada do PSD com vinte e seis anos. Penso que há ainda gente na assembleia com menos idade, o que me leva a um pensamento recorrente mas não menos elevado por causa disso: se há uma idade mínima para se ser candidato à presidência da república por que razão não se aplica a mesma regra aos candidatos a deputados? É que eu gostava sinceramente de saber o que é que percebe da vida e das coisas públicas uma pessoa com vinte e quatro, vinte e cinco anos, ainda por cima recém saída da faculdade, ou quase, como acontece em algumas ocasiões. mas também é capaz de acontecer que as universidades preparem hoje os indivíduos muito melhor do que há uns anos e que esses indivíduos possuam uma perspicácia que não era evidenciada pelos jovens de outrora.

Quinta-feira, 4 de Agosto de 2011

Verão

O Verão é a mais triste das estações. A pretexto do "merecido repouso", mesmo para aqueles que passam o ano inteiro com as mãos nos bolsos, assistimos à exibição das figurinhas mais tristes que se possam imaginar. E cada ano tende a ser pior, fruto das inovações dessa coisa tenebrosa a que chamam "moda". Aos homens, vemo-los cada vez mais apaneleirados, independentemente das idades. De chinelinho de enfiar no dedo, quase todos, apesar desta ser provavelmente a mais ridícula peça de indumentária jamais criada. Este ano, a acrescentar ao desfile, temo-los aí com as bermudas de todas as cores para compor o ramalhete da imbecilidade. É verdade que cada um usa o que quer, mas também não é menos certo que a crítica do alheio é um passatempo com largas tradições. Ao chinelinho e à bermuda podemos ainda juntar a praga das depilações para homens e das tatuagens, sobretudo "étnicas" ou "tribais", mesmo quando o infeliz que as ostenta não faz ideia do que seja a etnologia. Bons tempos, aqueles em que as tatuagens estavam reservadas às gentes do roque e aos gandulos encartados.
No caso das mulheres o cenário não é melhor. Cada vez mais parecidas com as venezuelanas (e isto não é um elogio), as portuguesas caracterizam-se pelas tatuagens (também) ridículas (e pela necessidade imperiosa de as mostrar ao mundo), pela proliferação de pinturas (pergunto-me se no Inverno também pintarão as unhas dos pés), pelas cores variadas e diversificadas nos cabelos ( e que lindo é ver uma velha de cabelo bordeaux ou roxo) e etc.
No entanto, parece que tudo isto é "moderno" e já se sabe que o moderno é bom. A lista de aberrações em nome da "modernidade" é interminável e há-de chegar um dia em que os fulanos não enquadrados nestes ditames de paneleiragem e idiotice acabarão encerrados em jaulas para que os "homens novos" (e mulheres, claro) saibam como era o bárbaro de outrora que mesmo no Verão usava ténis e não andava com a linda t-shirt à cava.
ps1: outro flagelo estival é a indumentária dos emigrantes. É triste constatar que o cosmopolitismo continua a não lhes dar bom gosto, mas enfim.
ps2: e outro ainda é a crença de que no Verão tudo é permitido, desde a música de karaoke em todo o lado e em altos berros até às tantas - parece que nesta estação é crime adormecer antes das quatro da manhã - ao desrespeito completo por qualquer regra de trânsito em zonas balneares e á deposição de lixo onde calha. Enfim, mais uma vez se pode constatar, através de uns dias de férias numa zona de praia, que ser nacionalista em Portugal não compensa. Com um povo de selvagens como este tem-se orgulho em quê?

Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011

Cosmopolitismo

Logo á noite, o SLBenfica vai entrar em campo com onze estrangeiros. O futebol tem-se revelado desde há muito um dos grandes impulsionadores do cosmopolitismo apátrida, disfarçado embora por um patriotismo saloio ocorrido de quatro em quatro anos nos mundiais ou nos europeus - cada vez mais africanizados. Olhe-se para as selecções nacionais e veja-se o que por lá vai. Olhe-se para os clubes e o cenário consegue ser pior. Se o SLBenfica consegue entrar em campo com zero portugueses, FCPorto e Sporting CP não fazem muito melhor. Apesar disso, continuamos a bater palmas e a vibrar com esta rapaziada. Aqueles que se opõem ao controlo fronteiriço e dos fluxos migratórios saúdam alegremente os imigrantes que desembarcam quase diariamente para os clubes nacionais em toda a Europa. Se há trinta e dois anos o SLBenfica só jogava com portugueses atingimos hoje o oposto absoluto. Mas é tudo a bem do desporto e da competição e aqueles que defendam limites a esta descaracterização acabam rotulados de xenófobos e etc. Até porque o cosmopolitismo é que é moderno e o que é moderno é bom.

Terça-feira, 2 de Agosto de 2011

Não é o BPN

Noticia o Correio da Manhã que uma cooperativa de ensino em Riba d'Ave, Vila Nova de Famalicão, decidiu despedir setenta professores devido aos cortes no financiamento estatal. Independentemente da anedota que é um ensino "privado" sustentado em parte ou totalmente pelo estado fica o registo de que neste, como em outros casos, não há intervenção para salvar os postos de trabalho - não se trata do BPN, pois claro.

Imigração - uma história

Vamos supor que tenho um vizinho com uma casa melhor que a minha, uma vivenda por exemplo. Vamos supor que decido um dia deixar a minha casa por uma qualquer razão. Vamos supor que salto a vedação da vivenda do vizinho com a minha família e acabo por me instalar no relvado. Quando ele se prepara para me expulsar recuso-me a sair - tenho direitos. Vamos supor que ele se prepara para me açular os cães mas que entretanto já chegou a televisão, alertada por um terceiro que não gosta do vizinho nem do facto de ele ter uma vivenda. É então que gesticulo e grito "racismo! racismo!", apesar de saber que não existem raças, apenas a humana (vi na televisão). Vamos supor que, amedrontado pela presença da televisão e de alguns senhores e senhoras entretanto chegados (e que defendem os direitos humanos) o vizinho acaba por condescender: ficamos então no relvado. Mas, pouco depois, este não me chega. Faz lá frio de noite e calor de dia. E tenho direitos. Quero um quarto dentro da vivenda. Mas como preciso de mais e a família é grande concluo que quero o primeiro andar. Entretanto descubro que há uma piscina na vivenda. E que o filho e a filha do vizinho se entretêm por lá nas férias. Mas isso ofende-me. E exijo que parem de imediato com tal comportamento. Acontece que também gostam de fazer uns grelhadinhos nas traseiras. Mas isso ofende-me. E exijo que parem com tal comportamento. Por sinal, a senhora dona esposa do vizinho costuma usar um crucifixo ao pescoço - por vezes é visível. Isso, mais que tudo, ofende-me. E exijo que o retire. A própria roupa usada pela senhora e pela sua filha é ultrajante e ofende-me. E exijo que se vistam com decência. Na sala de estar, onde desço algumas vezes para gozar da televisão, há um quadro com uma cena mitológica. E isso ofende-me. E exijo que o retirem. Curiosamente, acabo por chegar à conclusão que a presença da própria família me ofende. E exijo que a retirem dali.
Isto é apenas uma história, um exagero, decerto. Mas seria talvez pedagógico que as boas almas de esquerda, da igreja, dos direitos humanos, da fraternidade, da solidariedade, da igualdade, da humanidade, começassem por fazer efectivamente o que pregam: não exijam apenas a abertura de fronteiras. Atrevam-se a ir mais longe e acolham uma família de imigrantes nas suas casas. Talvez assim possam usufruir de perto, vinte e quatro horas por dia, da riqueza da diversidade, do multiculturalismo, do exotismo, do encanto do outro. E certamente que a experiência os enriqueceria extraordinariamente. A não ser que o velho Sherlock Holmes tenha, de facto, razão, e os filantropos sejam de uma espécie bem mais odiosa que os misantropos.

Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

Crónicas dos Imperadores Romanos


Estava a trinta euros, mais ou menos, agora arranja-se a oito no Jumbo e também na FNAC e na WOOK. Para quem gosta é de aproveitar, até porque se trata de uma leitura entretida e com lindas ilustrações. A edição é da Civilização.

Olh'ó nazi!

Tinha de ser, claro. Diz o Diário de Notícias de hoje que o doidinho norueguês tinha feito uma ou mais operações plásticas para ficar parecido a um "ariano perfeito". E diz que o Hitler havia de gostar e tal. Só não percebo como é que o gajo queria ser ariano se tinha o Hitler na lista de traidores à Europa. Seria pelo facto de nem o Hitler nem nenhum dos líderes nacional-socialistas corresponder ao protótipo do ariano veiculado pela comunicação social?

BPN- os remediados que paguem a crise!

Portanto, a besta foi vendida por 40 milhões mas o estado ainda lá vai injectar 550 milhões. Depois temos 30% dos balcões encerrados e metade dos trabalhadores transferidos ou despedidos. Uma excelente solução para alguns, claro. 2.4 mil milhões depois foi o que se pôde arranjar até porque não se podia deixar cair o banco por causa do contágio. Felizmente, para a banca há sempre solução (mesmo quando ela é privada - liberalismo à portuguesa). Para os estaleiros e trabalhadores despedidos, para os milhares de professores colocados na rua no fim de Agosto (ou antes), para os empregados do pequeno comércio e tal, etc é que é mais difícil. Por causa das exigências da troika e isso. Mas isto é conversa de populista que não percebe nada de economia.