"Civilização ibérica, sim. Sempre.
União ibérica, não. Nunca.
Aljubarrota mais Toro igual a zero.
Península Ibérica igual a Espanha mais Portugal.
A Península Ibérica já foi cabeça do mundo com a forte Espanha e o heróico Portugal. A Península Ibérica fez a América Latina.
A Península Ibérica espalhou por toda a terra o sangue de Espanha e os padrões de Portugal.
Ficaram eternos no mundo Espanha e Portugal. Pela primeira vez na História, dois povos independentes realizam uma mesma e única civilização: Portugal e Espanha criarama Civilização Ibérica.
O litoral da terra e as imensidades dos mares e dos continentes ficaram pela primeira vez ligados praticamente ao universal por iniciativa e feitos dos portugueses. Depois, os espanhóis participaram grandemente do segredo português, com uma expansão ultramarina ao lado da nossa. A descoberta dos caminhos dos mares, a descoberta dos novos continentes e a do perfil de todos os litorais e a primeira volta ao mundo, feitos por portugueses e espanhóis, foram o primeiro material para a unidade política da terra.
A dualidade Portugal e Espanha é afinal o segredo da vitalidade da península Ibérica e da sua civilização.
Portugal e espanha são dois opostos e não dois rivais. Os opostos são completamente iguais de um todo. Este todo está representado geograficamente pela península Ibérica e em espírito pela civilização ibérica.
A primeira parte da missão da civilização ibérica já foi cumprida: o império colonial português e o império colonial espanhol, a América latina, e o sangur português e espanhol espalhados pelo mundo inteiro.
A segunda parte da missão da civilização ibérica começa em nossos dias: criar a cultura do entendimento português e do entendimento espanhol, não só para os actuais peninsulares como também para todos os originários da nossa civilização comum e dual.
Além disto, pesam sobre as actuais gerações portuguesa e espanhola,as respectivas e comuns responsabilidades de criarem os novos colaboradores peninsulares do conjunto europeu e do universal.
Cada português terá de ser mais português do que nunca em face do espanhol mais espanhol do que nunca e sobretudo, portugueses e espanhóis teremos de ser mais portugueses e espanhóis do que nunca, em face do alemão mais alemão do que nunca, do inglês mais inglês do que nunca, do francês mais francês do que nunca, do italiano mais italiano do que nunca, do russo mais russo do que nunca, enfim, de todo e qualquer povo mais nacional hoje do que ontem, mais ele mesmo hoje do que nunca."
Almada Negreiros, Obra Completa - volume único, Editora Nova Aguilar, 1997.