O massacre levado a cabo na Noruega pelo tarado doentio simpatizante da maçonaria veio, novamente, trazer ao de cima as "teorias" delirantes dos maluquinhos das conspirações. Segundo estes infelizes o homem não pôde ter actuado sozinho: foi manipulado. Por quem? pelo adversário óbvio, o judeu. Percorram-se fóruns de "debate" daquilo que se considera "extrema-direita" e lá temos a recorrência da conspiração. A culpa foi de Israel e da Mossad. Fraca argumentação e pior imaginação, além da clássica demonstração de esquizofrenia. Por um lado, os sionistas dominam o mundo e arredores. Por outro, coitados, são tão estúpidos que mal acabam de praticar as suas aleivosias já toda a gente no universo dos iluminados sabe que a culpa é deles. Foi assim no ataque às torres gémeas (recordemos que os maluquinhos defendem que foram eles os culpados tendo avisado os judeus de véspera para que não fossem trabalhar - coisa em que ninguém repararia) e foi assim agora. Parece que na véspera o ministro dos estrangeiros palestiniano tinha ido à Noruega e vai daí os sionistas, rápidos como relâmpagos, atacaram a Noruega à bomba. Mas não contavam, mais uma vez, com a perspicácia dos maluquinhos.
Na génese disto tudo encontra-se uma psicologia básica. O ser humano gosta de saber, mas perde a capacidade de descobrir, a curiosidade com o tempo, á excepção de alguns. Claro que a descoberta implica trabalho e inteligência, atributos que não estão ao alcance de todos. Mas neste mundo de anonimatos conjugado com a necessidade do aparecimento, a conspiração surge necessariamente. Incapazes de se darem a conhecer por algo efectivamente válido, os maluquinhos da conspiração investem contra o mundo. Os que os rodeiam são ignorantes, manipulados pelo inimigo (o sionista, o judeu, a comunicação social, o fascista, o xenófobo, etc). Neste sentido, sejam eles de extrema-direita ou esquerda (estre aspas) são iguais na mesma incapacidade de perceber o mundo e a natureza das coisas. Essa incapacidade de percepcionar a realidade leva-os à ficção e ao delírio. Na posse da verdade repelem a sua insignificância e transferem-na para o outro. Porque o maluquinho da conspiração, agora na posse do segredo é o verdadeiro iluminado. Só ele tem acesso ao conhecimento. Gnóstico dos nossos dias sem saber o que é a gnose, o maluquinho das conspirações move-se num universo bipolar, ajustável à sua fraca personalidade. Os outros são burros porque não vêem e aceitam acriticamente, ele é o sábio, o que vê mais longe e identifica os símbolos ocultos. Familiar dos astrólogos, dos curandeiros e de tantas legiões de charlatães, os maluquinhos das conspirações são incapazes de perceber o óbvio, o evidente. Há sempre mais. Aqui não entra a navalha de Occam e a simplicidade científica. Aqui é o lugar da alucinação. Aparentemente inofensivo, o maluquinho da conspiração pode tornar-se perigoso quando, como no caso do tarado doentio norueguês, avança para o confronto com os ignaros e deixa discípulos e admiradores. Porque, convenhamos, entre as extremas, sejam elas direitas ou esquerdas, há muitos que secretamente admiram o tarado: por uma razão simples, ter feito o que alguns sonham igualmente fazer aos que não se enquadram no seu maniqueísmo patológico.