Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

O progressista e a Igreja

Ontem, calhando a ver o noticiário da sic, vejo a notícia de um corno pretensamente intitulado artista que decidiu dar um ar mais moderno e de acordo com o tempo à imagem de Jesus. Vai daí o corno pintou uma série de quadros em que se vê Jesus a injectar-se, num ringue de boxe e mais não sei quê. Naturalmente, o corno não fez nem fará o mesmo com figuras importantes de qualquer outra religião. Provavelmente achará o budismo digno de respeito - porque há actores que o elogiam, o islamismo demasiado ameaçador, o hinduísmo demasiado complexo para a sua cabeça de corno e assim por diante. Mais uma vez, portanto, é o cristianismo a vítima mas apenas porque já não se sabe dar ao respeito. O cristianismo entrou num processo de decadência causado pela sua própria transformação e pela sua incapacidade de resistir ás seduções da época. Porque num mundo em que existisse verdadeiro cristianismo este corno pensaria duas vezes antes de retratar a Jesus como retratou porque num mundo em que existisse c ristianismo a sério a reacção cristã só podia ser uma: obviamente a de retaliação a sério contra esse corno que abusou da sua figura central. Porque só no dia em que o cristianismo voltar a mostrar que é capaz de opôr a sério a estes ultrajes é que voltará a ser levado a sério. Até lá continuará em declínio, excepto nas zonas onde o enfrentamento com religiões ou cultos agressivos ou situações de vida igualmente agressivas fazem dele uma religião de combate. Porque os povos e os crentes tal como os povos exigem de quem os guia - neste caso a Igreja - autoridade e milagre. Milagres, a Igreja já não os oeferece há muito, enredada em comissões de avaliação e etc. Por isso os crentes voltam-se para as seitas que lhos oferecem imediata e espectacularmente, mesmo que sejam falsos. Autoridade, há muito que não existe, por isso a perda de terreno para o islamismo, culto combativo e mobilizador. Perdidos estes dois elementos não resta muito à Igreja, excepto talvez jornadas de jovens que dão uma falsa ilusão de mobilização, negociatas com poderes que não a respeitam e cedeências sucessivas a bem da concórdia e outras palavras vazias de significado - veja-se como a Igreja portuguesa se mostra disposta a abdicar da festa da Imaculada Conceição e do Corpo de Deus como se nada fossem. Enfim, com um cristianismo efeminado como este não vão faltar por aí bandalhos que usarão e abusarão da imagem de Cristo e dos santos porque sabem que o podem fazer impunemente já que ninguém os perturbará nas suas vidas de pretensos artistas ou intelectuais de merda.

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