Domingo, 11 de Dezembro de 2011

Música e revolução

Que a revolução profissional é sempre sinónimo de boa vida já o sabíamos desde as imagens de Marx, gordo como um texugo. Similar é a situação dos músicos revolucionários, os chamados "cantautores" e toda essa panóplia de tristes que por aí prolifera. Olhe-se para eles, pegue-se num Represas (não literalmente, claro), num Paulo de Carvalho, num Tim, num Fernando Tordo, num Sérgio Godinho e por aí. É raro o trovador humanista que com o passar dos anos não fica mais parecido com o estereótipo do porco burguês do que propriamente com os famintos da terra. Mas, enfim, são os sacrifícios de quem faz da revolução profissão de fé, de quem ilumina o povo com as suas canções, de quem faz das palavras a arma contra a opressão. Porque uma coisa é cantar ai Timor operários uni-vos aos meninos do Huambo e a revolução é contra a opressão. Outra, completamente diferente, é levantar o rabo do sofá e deixar os bons restaurantes e experimentar, de facto, aquilo que o povo experimenta. Até porque isso era bom para aqueles padres-comunas de outrora, da altura em que existiam operários a sério.

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